28 de novembro de 2009

Roxy Music - Country Life


Roxy Music - Country Life(1974)
Origem: Inglaterra
Produtor: Roxy Music, John Punter
Formação Principal no Disco:
Bryan Ferry – John Gustafson – Edwin Jobson – Andrew Mackay – Phil Manzanera – Paul Thompson
Estilo: Art Rock
Relacionados: David Bowie/H.P. Lovecraft /Marc Bolan
Destaque: Prairie Rose
Melhor Posição na Billboard: 37o

Opinião do leitor:
Brian Eno e Bryan Ferry eram gente demais para capitanear o Roxy Music naqueles idos de 73. O primeiro desembarcou da banda depois de dois álbuns e seguiu uma exitosa careira-solo. Os demais membros do Roxy também questionavam os desmandos de Ferry mas, no momento em que Eno debandou, eles decidiram permanecer no séquito do segundo. a banda poderia ter perdido um colaborador insubstituível sem o criador de Here Come the Warm Jets, mas a coisa não se deu dessa maneira — pelo menos não ainda, como diria Santo Agostinho. Fery também não se deu por vencido e, assim como aconteceu com o seu antípoda, ele resolveu virar solo, porém como intérprete: lançou o curioso disco de covers These Foolish Things (que ia de Miracles até Lesley Gore), que, entre várias participações especiais, contava com a do guitarrista do próprio Roxy Music, Phil Manzanera. De fato, a banda agora ele ele & eles, e assim seria, mesmo depois do hiato que viria após Siren, dois anos depois do trabalho que, por muitos, é considerado o mais consistente do conjunto britânico, Country Life. Sem Eno, o Roxy passava a soar menos experimental, porémmantendo a excelência das composições do triunvirato Ferry-Andy Mackay-Manzanera. Mesmo assim, Country Life (cujo título é tirado de conhecida publicação) amntém a tradição do RM em fazer um smooth rock filtrado e um excêntrico pop eclético, que vai do R&B irresistível de If It Takes All Night até os aroubos barrocos a la Scarlatti em Triptych. O detalhe ficaria por conta da capa prá lá de polêmica, que trazia as modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald em roupas de baixo. Por conta disso, a capa seria vetada em vários países — inclusive nos Estados Unidos — por longos cinco anos. Sobre Country Life, a Rolling Stone se referiria ao disco como o "paroxismo do rock artístico inglês contemporâneo".

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

27 de novembro de 2009

Queen - Queen II


Queen - Queen II(1974)
Origem: Inglaterra
Produtor: Roy Thomas Baker, Robin Geoffrey Cable e Queen
Formação Principal no Disco: Freddie Mercury - Brian May - Roger Taylor - John Deacon - Roy Thomas Baker
Estilo: Rock
Relacionados: Rainbow/Ted Nugent/Blue Öyster Cult
Destaque: Father to Son
Melhor Posição na Billboard: 49o

Opinião do leitor:
O Queen fazia o circuito universitário de rock na Londres do começo dos anos 70 quando, em 72, conseguiu uma chance de entrar num estúdio de gravação, o De Lane Lea Studios. De posse de uma demo em mãos, agora eles podiam tentar vender o peixe com qualquer gravadora que se dispusesse a ouvi-los. Conseguiram um contrato com a liliputiana Chrysalis Records, onde só tinham espaço para gravar fora do horário de expediente das bandas "normais, isto é, de madrugada. Eis que, certa feita, o produtor Robin Cable convidou Freddie Mercury para fazer os vocais de uma cover das Ronettes, I Can Hear Music. Mercury não pensou duas vezes, e colocou o Queen no projeto. Aos trancos e barancos e superando dificuldades técnicas, eles conseguiram fazer um master tape do que seria o seu debut, Queen, que continha a promissora Keep Yourself Alive. O disco passou batido por crítica e público. O disco não fez sombra, mas permitiu ao quarteto inglês um segundo vôo, Queen II. Dentro do espírito da época, amalgamando tanto o hard rock quanto o progressivo (o álbum é um arremedo conceitual bem sucedido). Contudo, partindo de uma matriz comum, a banda de Mercury e Brian May botou no mundo o melhor disco mais subestimado de todos os tempos se o Queen, algum tempo depois, não se tornase o Queen. Transcendendo a rudeza do rock pesado de então, do rococó progressivo e da espirituosa excentricidade do glam, e contando com o estro de Mike Stone, que já havia trabalhado com gente como o Genesis, eles fizeram um disco autoral, audacioso, inteligente, bem elaborado, com construções melódicas exuberantes (White Queen (As It Began), sem contar com os trechos produzidos por Mercury que, a despeito de ser elernizado como vocalista, fez no disco um trabalho espetacular nos teclados) e em vocais insuperáveis. O parto foi menos complicado que o do primeiro rebento mas, para andar sozinho, o Queen II passou por alguns acidentes de percurso: a Trident, que havia bancado o lançamento do primeiro LP resolveu segurá-lo, já que o número 1 havia saído há menos de um ano. Além disso, até a insuspeita Crise do Petróleo de 1973 fez com que a fabricação de vinil atrasasse por alguns meses. Um erro no lay-out da capa, quase na pré-venda do álbum, conseguiu atrasar mais um pouco a data do seu lançamento, em março de 1974. Crítica e público se dividiram, mas mesmo assim, Queen II chegou ao quinto lugar no Reino Unido e Seven Seas of Rhye faz com que o quarteto conseguisse boa visibilidade nos Estados Unidos. Dada a largada, mesmo depois de tantos problemas, Mercury & companhia colocaram o disco em primeiro plano nas futuras turnês e mesmo ainda distante do paradigma low pop que a banda iria adquirir a partir do A Night at the Opera , o Queen II permanece como um dos melhores discos de rock da década.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

24 de novembro de 2009

Joni Mitchell - Court and Spark


Joni Mitchell - Court and Spark(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Joni Mitchell
Formação Principal no Disco: Joni Mitchell - John Guerin - Wilton Felder - Max Bennett - Jim Hughart - Milt Holland - Tom Scott - Chuck Findley - Joe Sample - David Crosby - Graham Nash - Susan Webb - Larry Carlton - Wayne Perkins - Dennis Budimir - José Feliciano - Cheech Marin - Tommy Chong
Estilo: Pop Jazz
Relacionados: CSN/Emmylou Harris/Laura Nyro
Destaque: Free Man in Paris
Melhor Posição na Billboard: 2o

Opinião do leitor:
Jono Mitchell sempre se notabilizou por álbuns com produções descomplicadas e rigorosamente acústicas, que se moldavam ao seu estilo entronizado pelo signo do folk, em canções como Chelsea Morning, Both Sides Now, All I Want, e Big Yellow Taxi, por exemplo. Um dos seus maiores sucessos, Blue, é uma incursão pelo gênero e considerado um de seus trabalhos mais marcantes. No entanto, foi justamente ao mudar esse paradigma que a cantora e compositora canadense criou a sua obra-prima, Court and Spark. A mudança poderia ter sido desastrosa para uma artista que soube consolidar uma imagem perante o seu público ouvinte e, de fato, a repercussão do lançamento do primeiro compacto simples do álbum, Raised on Robbery, deu mostras de que a coisa seria difícil: conseguiu um único e escasso sexagésimo quinto lugar na Billboard. Mas, junto com o lançamento do disco, em janeiro de 1974, Court and Spark subiu para o topo das paradas, junto com o segundo single, a nostálgica Help Me, a mais bela canção do disco, chegou ao primeiro lugar. Court and Spark também foi o primeiro disco de Joni pelo novo selo Asylum, uma subsidiária da Columbia, e que havia recentemente sido criada e que, num relativamente bem sucedido golpe comercial, arregimentando arsistas de escol, como os Byrds, Bob Dylan (que havia lançado recentemente seu Planet Waves), Linda Ronstadt e os Eagles.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

21 de novembro de 2009

Van Morrison - It's Too Late to Stop Now


Van Morrison - It's Too Late to Stop Now(1974)
Origem: Inglaterra
Produtor: Van Morrison, Ted Templeman
Formação Principal no Disco: Van Morrison - Teressa "Terry" Adams - Bill Atwood - Nancy Ellis - Tom Halpin - David Hayes - Tim Kovatch - Jeff Labes - John Platania - Nathan Rubin - Jack Schroer - Dahaud Shaar
Estilo: Pop Jazz/Irish Folk
Relacionados: Paul Simon/Scott Walker/Fairport Convention
Destaque: Cyprus Avenue
Melhor Posição na Billboard: 53o

Opinião do leitor:
Depois de lançar um disco fantástico chamado Veedon Fleece — tão genial quanto o incensado Astral Weeks ou o eclético Moondance, Van Morrison entrou num hiato criativo que só terminaria quase três anos depois, com A Period of Transition. Nesse meio tempo, ele amiúde se dedicaria aos palcos, cantando seus sucessos em exitosas turnês. O grande testemunho dessa fase do cantor e compositor irlandês, em sua grande forma, está no álbum It's Too Late to Stop Now. Considerado um dos maiores e mais marcantes registros ao vivo de um intérprete (pop) de todos os tempos, no nível do Enregistrement Public à l'Olympia 1962, do Jacques Brel, It's Too Late to Stop Now é um passeio nos dez anos de carreira de Morrison, indo desde os tempos do Them, com Gloria, passando pelo seu primeiro grande sucesso como artista solo (Brown-Eyed Girl, mas que só saiu na versão SACD de 2008), a sua obra-prima, Astral Weeks, com a místico-platônica Cyprus Avenue, cujo bordão que Van usava no fim dela nos shows (" It's Too Late to Stop Now") se tornaria o mote do disco, além de outros grandes momentos, como Into the Mystic e These Dreams of You, do Moondance, e covers interessantes de Willie Dixon (I Just Wanna Make Love To You), Ray Charles (I Believe to My Soul), Sam Cooke (Bring It On Home To Me) e dois standards de Sonny Boy Williamson — Take Your Hands Out of My Pocket e Help Me, que relembram o Van Morison menos smooth jazz e mais o blues singer dos tempos do Them. Uma curiosidade: ao contrário do que acontece com todo disco gravado ao vivo, o perfeccionista Morrison não permitiu que se fizesse nenhuma mixagem, overdub ou quaisquer maquiagens em estúdio para sublimar alguma falha dos tapes originais. Por conta disso, Moondance ficou de fora da mixagem final do LP, porquanto um dos músicos havia simplesmente errado um acorde.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

20 de novembro de 2009

Kraftwerk - Autobahn


Kraftwerk - Autobahn(1974)
Origem: Alemanha
Produtor: Conny Plank, Ralf Hütter e Florian Schneider
Formação Principal no Disco: Ralf Hütter – Florian Schneider – Klaus Röder - Wolfgang Flür
Estilo: Eletronic Music
Relacionados: Can/Soft Machine/Cluster
Destaque: Kometenmelodie 2
Melhor Posição na Billboard: 25o

Opinião do leitor:
O Kraftverk nasceu da idéia de dois estudantes do Conservatório Musical de Düsseldorf, Florian Schneider e Ralf Hütter. Ambos gostavam de música eletrônica e passaram os quatro anos seguintes fazento diversas experimentações no gênero, com diversos músicos em projetos idem. Contudo, a influência seminal para o desenvolvimento do que viria a ser a banda veio através de uma espécie de mecenas, o produtor Konrad Plank, e do trabalho desenvolvido pelo pessoal do Krautrock, em especial o Can do Future Days. Autobahn, por sua vez, seria o primeiro dentro do novo paradigma do Kraftwerk — mais voltado à música eletrtônica propriamente dita, mas desenvolvendo o seu trabalho de forma mais acurada e rigorosa e em álbuns essencialmente conceituais. O mote do disco, cujo título em português é algo como "auto-estrada", é algo como imaginar como seria uma mímese em sons da viagem entre Köln to Bonn, pela rodovia mais antiga da Alemanha. A faixa que dá nome ao disco (a única não-instrumental de todo), a despeito do caráter experimentalista, numa versão reduzida para compacto simples estouraria nas paradas no Verão de 1974 — o que lhes renderia uma exitosa turnê, no ano seguinte.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

13 de novembro de 2009

Eric Clapton - 461 Ocean Boulevard


Eric Clapton - 461 Ocean Boulevard(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Tom Dowd
Formação Principal no Disco: Eric Clapton - Yvonne Elliman - Albhy Galuten - Tom Bernfeld - Dick Sims - George Terry - Carl Radle - Jamie Oldaker - Al Jackson, Jr. - Jim Fox
Estilo: Rock, Pop
Relacionados: Johnny Winter/Allman Brothers/George Harrison
Destaque: I Shot The Sheriff
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
A barra começou a pesar para Eric Clapton quando um gorila se dependurou no seu pescoço por um longo tempo. Como se não bastasem problemas dcom heroína, ele ainda tinha problemas com álcool e questiúnculas sentimentais não resolvidas. Tudo isso o entrevou num hiato que durou mais de três anos: nesse período, pouco ou quase nada ele produziu, desde o fim do projeto com o Derek And The Dominoes. Quem mudariao estado das coisas seria o bom-samaritano Pete Townshend que, vendo o seu colega naquele triste estado, quem organizou um concertro de boas vindas ao slowhand, no Rainbow Theatre, Finsbury Park, em Londres, que o ajudou a tanto a livrá-lo do vício quanto a ter coragem para retomar a sua carreira musical. Acabou trocando o gorila por algo mais interessante, Pattie Boyd que, depois de anos, cedeu aos seus apelos. Dada a largada, Eric juntou uma nova banda, com George Terry, Dick Sims, Jamie Oldaker e as vocalistas Yvonne Elliman e Marcy Levy para gravar o seu segundo disco solo (o dèbut, como se sabe, foi em 1970, naquele álbum que tem After Midnight e Let It Rain) — 461 Ocean Boulevard. Dessa vez, Clapton deixa de lado sua seminal influência no blues e sua característica de desenvolver solos épicos e gigantescos para desenvolver melodias mais simples em canções mais curtas, contudo sem negligenciar a excelência dos aranjos. Em 461 Ocean Boulevard, Eric aposta numa linguagem mais pop, como se pode notar em Mainline Florida, mas sem perder os fundamentos bluesísticos, ele vai do gospel em Give Me Strength, Steady Rollin' Man (Robert Johnson)I Can't Hold Out — clássico de Elmore James e Willie and the Hand Jive, de Johnny Otis. A surpresa iria ficar por conta do cover de I Shot The Sheriff, originalmente gravado pelos Waillers no disco Burnin', de 1973. Clapton conquistou o seu primeiro 1# nas paradas (e único nos Estados Unidos) e, de quebra, sua versão serviu para divulgar o reggae e a música de Bob Marley que, na época, estava em ascenção, depois do lançamento de Stir It Up, seu primeiro êxito fora da Jamaica até No Woman No Cry. Em tempo: 461 Ocean Boulevard era, na época, a ilha dos bem-aventurados de Clapton em Golden Beach, em Miami, Florida...


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

12 de novembro de 2009

Steve Wonder - Fulfillingness' First Finale


Steve Wonder - Fulfillingness' First Finale(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Stevie Wonder, Robert Margouleff e Malcolm Cecil
Formação Principal no Disco: Stevie Wonder - Paul Anka - Shirley Brewer - Jim Gilstrap - Lani Groves - Bobbye Hall - Jackson 5 - James Jamerson - "Sneakey Pete" Kleinow - Larry Nastyee - Reggie McBride - The Persuasions - Minnie Riperton - Rocky - Michael Sembello - Deneice Williams - Syreeta Wright
Estilo: R&B, Soul
Relacionados: Temptations/Marvin Gaye/Al Green
Destaque: You Haven't Done Nothin'
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Depois do passional e político Innervisions, Stevie Wonder cercou-se de um batalhão de músicos (que ia de Minnie Riperton, Paul Anka, Deniece Williams até os Jackson 5) para gravar Fulfillingness' First Finale, clássico dentro dos clássicos na discografia setecentista do músico norte-americano, porém mostrando um lado mais low profile do autor de All in Love Is Fair. Muitos creditam isso à uma espécie de revelação que ele teve logo após o lançamento do seu álbum anterior, quando sofreu um grave acidente que lhe deixou muitas seqüelas, lhe entrevando numa confusão de sentidos e em quatro dias de coma — e que para ele foi quase um renascimento existencial em pleno auge da carreira. A distância do modelo anterior apresentado por Steve difere de forma diametral nos arranjos de Fulfillingness' First Finale — menos histriônicos, e mais dado à pura e simples audição. No entanto, como não poderia deixar de ser, Wonder rende seu engenho e arte para a criação de canções lapidares e clássicas desde o berço, como You Haven't Done Nothin' (um libelo contra os desmandos do presidente Richard Nixon) e Boogie On Reggae Woman — que, juntos à produção impecável do disco, lhe permitiu amealhar mais um Grammy de album do ano.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

Shuggie Otis - Inspiration Information


Shuggie Otis - Inspiration Information(1974)
Origem: Estados Unidos
Produtor: Shuggie Otis
Formação Principal no Disco: Shuggie Otis
Estilo: R&B, soul, rock, blues, funk
Relacionados: Temptations/Sly Stone/Funkadelic
Destaque: Inspiration Information
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Multi-instrumentista, expedicionário musical, Shuggie Otis é uma força da natureza — e uma anomalia. Filho do produtor musical Johnny Otis, Shuggie cedo aprendeu a tocar toda a sorte de instrumentos possíveis. Seu batismo de fogo foi incógnito, em inferninhos da moda na Los Angeles do começo dos anos 60. Porém, seu grande desafio foi substituir Stephen Stills naquela que seria o precursor dos super-grupos (ou superbandas), no disco Super Session, em companhia de Al Kooper (aquele, do Blood, Sweat And Tears e músico da banda de Bob Dylan em 1965) e o subestimado e genial guitarrista Mike Bloomfield (que, com Kooper, participou das sessões do Highway 61 Revisited). Seu primeiro álbumn, Here Comes Shuggie Otis, mostrava que ele era um músico diferenciado, e transava mais o som de Frank Zappa junto com as invencionices de Sly Stone e a tresloucada elegância de Arthur Lee. Sua obra-prima, no entanto, é o híbrido e fragmentário Inspiration Information. Experimental até a medula, o disco é uma flor de perfecionismo: tanto que Otis levou cerca de três anos e meio para se dar por satisfeito. Anti-comercial, quase anti-musical, como toda piração musical, sua tendência é pregar num deserto de incompreensão, muito embora o álbum não seja o que se pode chamar de "difícil". Contudo, está deveras longe do cânone do soul consumível até então. Difícil mesmo era o próprio Otis e sua arredia personalidade — ele declinou da oportunidade de excursionar com os Stones através do convite de Billy Preston. Também acabou não aceitando lançar um disco com Quincy Jones. Acabou ganhando a pecha de "donzelão" e, no fim, terminou se virando num obscuro músico de estúdio, muito comentado, regravado, sampleado, discutido, mas quase inédito.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

10 de novembro de 2009

Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway


Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: John Burns and Genesis
Formação Principal no Disco: Tony Banks – Phil Collins – Peter Gabriel – Steve Hackett – Mike Rutherford
Estilo: Rock Progressivo
Relacionados: Pink Floyd/Jethro Tull/Yes
Destaque: Carpet Crawlers
Melhor Posição na Billboard: 41o

Opinião do leitor:
The Lamb Lies Down on Broadway é a mais bela excrescência do rock progressivo, um álbum conceitual por excelência e a última colaboração de Peter Gabriel com a banda — Phil Collins iria assumir os vocais a partir de A Trick of the Tail, de 1976. Peter teve que se ausentar da pré-produção do que viria a ser o disco, já que sua esposa, Jill, estava tendo problemas com a gravidez de Anna, sua primeira filha. Ao mesmo tempo, ele mesmo já estava tensionando em deixar o Genesis, à medida em que se afastava do grupo e se interessava cada vez mais em projetos paralelos, como o cinema, por exemplo. Mesmo asim, Gabriel quis levar o objetivo de trabalhar no próximo trabalho do Genesis até o fim: inclusive, resolveu impôr a idéia de utilizar um texto seu, que narrava a aventura de um chicano que tinha que salvar seu irmão das garras de criaturas surreais numa Nova Iorque mágica. os demais — Hackett, Mike Rutherford, Banks, Collins, queria fazer uma adaptação do clássico de Antoine de Saint-exupery, o Pequeno Príncipe. Por fim, prevaleceu a concepção de Peter. Boa parte de The Lamb Lies Down on Broadway acabou se tornando uma espécie de paráfrase do texto do vocalista. O álbum foi bem recebido pela crítica, chagando ao décimo lugar nas paradas britânicas e rendeu uma extensa turnê que acabou em agosto de 1975, quando Peter finalmente revelou suas intenções em seguir uma carreira-solo.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

9 de novembro de 2009

Bad Company - Bad Company


Bad Company - Bad Company(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Bad Company
Formação Principal no Disco: Paul Rodgers – Mick Ralphs - Simon Kirke – Boz Burrell
Estilo: Hard Rock
Relacionados: Free/Mott the Hoople/Led Zeppelin
Destaque: The Way I Choose
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Com a saída do baixista Andy Fraser, em 1973, o Free perdia um dos seus principais compositores. Somado aos problemas de drogas de Paul Kossoff, Paul Rodgers sentiu que a banda estava com os dias contados. Contudo, se ele estava a fim de acabar com o projeto, ao mesmo tempo, Paul queria manter acesa a chama do hard rock que notabilizou a banda. Para tanto, achou outra pedra rolante, o(excelente)guitarista Mick Ralphs, do Mott The Hoople. Acontece que Mick não estava gostando do estilo de liderança imposta pelo líder do Mott, Ian Hunter, e ele sentia que agora teria mais futuro com o pessoal do Free que, via de regra, era de outra estirpe: rivalizava com outro cachorro grande, o Led Zeppelin de Page e Plant. Com a dupla formada, Simon Kirke voltou a colaborar como antigo colega. Faltava só alguem para empunhar o baixo, e esse alguém seria outro egresso de outra super banda (o King Crimson), Boz Burrell. Juntos, ele formariam um dos — se não o — maiores supergrupos dos anos 70, o Bad Company. Não bastasse a relação entre o Free e o Led Zeppelin, o empresário dos últimos, Peter Grant, decidiu adotar a nova banda de Rodgers para um disco. Como é notável em qualquer banda cujos integrantes sejam músicos experimentados e acima da média, a química e a eneriga podia ser medida apenas um olhar de soslaio entre um e outro. O álbum (homônimo) de estréia, gravado de forma orgiástica e empiricamente artesanal no Ronnie Lane's Mobile Studio, do baixista do Faces, é lapidar: passar por todas as tendências do rock e suas possibilidades possíveis, baladas soul, rock, blues, country-folk. O disco foi puxado por uma super boogie que Mick Ralphs havia composto ainda no tempo do Mott, Can't Get Enough, e que ele sabia que tinha pinta de sucesso. O irônico é que Ian Hunter não quis que o Hopple a gravasse, achando que ela não se encaixava no estilo (esse seria um dos motivos do desligamento de Ralphs). Além de Clássica na primeira audição, Can't Get Enough chegou ao quinto lugar nas paradas e, junto com Movin' On, alavancou o álbum para o topo das paradas, em 1974 — consolidando de largada o Bad Company. Intérprete marcante e versátil, Paul Rodgers seria o cara perfeito para o tipo de som que o BC produzia pelos cotovelos: Rocksteady, a baladona Ready For Love, o smooth-folk Seagull (que revelava uma nova parceria, Rodgers e Ralphs) e o memorável soul The Way I Choose. Bad Company é mágico: simples, direto e excelente do princípio ao fim e de quebra, um dos melhors discos de estréia (com mais de 5 milhões de cópias vendidas) de uma banda — na história do rock.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

8 de novembro de 2009

Brian Eno - Here Come the Warm Jets


Brian Eno - Here Come the Warm Jets(1974)

Origem: Inglaterra
Produtor: Brian Eno
Formação Principal no Disco: Brian Eno - Chris Spedding - Bill MacCormick - Robert Fripp - Paul Rudolph - Andy Mackay - Paul Thompson - Lloyd Watson
Estilo: Art Rock
Relacionados: Roxy Music/Nick Kool & the Koolaids/Hawkwind
Destaque: Baby's on Fire
Melhor Posição na Billboard: 26o
Opinião do leitor:
Here Come the Warm Jets, o primeiro álbum solo de Brian Eno, poderia ser definido como quase um disco do Roxy Music sem a "intromissão" criativamente fundamental de Bryan Ferry. No entanto, e justamente por conta disso, ele vai um pouco mais além. Partindo da idéia de fazer um disco menos glam e mais experimental, Eno recrutou uma estirpe de músicos criativos e tão ecléticos quanto ele, que ia de Robert Fripp (do King Crimson) integrantes do próprio Roxy Music, Hawkwind e do The Pink Fairies, Simon King (do Hawkwind), entre outros. A proposta primordial de Brian era a de que todos os músicos concebessem a parte e o todo como algo dançante, para que o resultado fosse uma espécie de apoteose do ritmo. A despeito disso (e justamente por conta disso), Here Come the Warm Jets não é hermético — apenas esencialmente pretencioso. Canções como Baby's On Fire são surpreendentemente sofisticadas e dançantes ao mesmo tempo; Cindy Tells Me soa um amálgama de retrô e vanguardista ao mesmo tempo. Já Here Come the Warm Jets e On Some Faraway Beach, bem ao estilo de Eno, são mais experimentais. A despeito de seu perfil arrojado e sofisticado, o álbum se saiu bem nas paradas, ficando duas semanas no vigésimo sexto lugar nas paradas americanas. Brian Eno chegou a ensaiar uma turnê internacional na esteira do sucesso do disco mas, devido a problemas pulmonares, teve que abdicar do projeto em cima da hora.



Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

7 de novembro de 2009

New York Dolls - New York Dolls


New York Dolls - New York Dolls(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Todd Rundgren
Formação Principal no Disco: David Johansen – Sylvain Sylvain – Arthur Kane - Jerry Nolan - Johnny Thunders - Todd Rundgren
Estilo: Punk, Rock
Relacionados: MC5/The Stooges/Tom Verlaine
Destaque: Pills
Melhor Posição na Billboard: 116o

Opinião do leitor:
O visual era ligeiramente chocante — aliás, não havia outra forma de dar o recado. Porém, o som era inconfundível: o velho rock'n roll. Diante do perfeccionismo do progressivo e do rococó pós-moderno do glam, coube às bandas precursoras do que seria chamado, alguns anos mais tarde, de punk, simplificar o rock de volta às suas origens — do-ups, blues, R&B e tudo o que caiu na geléia geral do pop naqueles últimos vinte anos — de forma simples, direta e essencialmente transgressora. E a síntese disso atendia pelo nome de New York Dolls. A banda de David Johansen, nascida no coração do Bronx, poderia ser visualmente cognata à maioria dos conjuntos glam que assomavam as paradas de sucesso naquele ano de 1973; contudo, o álbum de estréia do quinteto norte-americano era um mash-up de rock esfuziante em todas as suas tendências. Bad Girl ou Pills (cover do Bo Diddley), por exemplo, não devia nada aos Rolling Stones. O refrão de Trash, lembrava vagamente os The Diamonds. A irresistível Subway Train, por sua vez, ia influenciar de forma considerável o new wave dos anos 80, e isso que estamos falando de 1973! Aliás, por conta disso, os New York Dolls, como não podeia deixar de ser, iriam também — assim como os Stooges — pagar o preço de seu pioneirismo: seu Lp de estéia não vendeu quase nada e o seu som foi comparado a uma orquestra de cortadores de grama(!). Azar. "eles" não perdiam por esperar...

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

3 de novembro de 2009

The Isley Brothers - 3+3


The Isley Brothers - 3+3(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Ronald Isley, Rudolph Isley
Formação Principal no Disco: Ronald Isley - Rudolph Isley - O'Kelly Isley, Jr - Ernie Isley - Marvin Isley - Chris Jasper - George Moreland - Truman Thomas
Estilo: Funk, Soul
Relacionados: Temptations/Marvin Gaye/Al Green
Destaque: That Lady
Melhor Posição na Billboard: 8o

Opinião do leitor:
Os Isley Brothers consolidaram a sua imagem como um trio cuja música foi proeminente nos anos 60, com canções marcantes como Twist And Shout e This Old Heart of Mine (Is Weak for You), que foi o auge do sucesso do grupo já na Motown. Depois de uma exitosa turnê pela Inglaterra, de 1968, onde eles sempre gozaram de enorme popularidade, os Isley dediciram sair do selo de Braford Gordy e mudar o seu som. assinaram com a alternativa Buddah Records e, como um quarteto, com a adição de Ernie Isley (já bastante influenciado por Hendrix àquela época) na guitarra, conseguiram um milhão de cópias com a clássica e irresistível (e genial) It's Your Thing que, antes dos 70, já apontava para a tendência ao funk que iria se tornar coqueluche. Nos anos 70, eles mudariam novamente a formação, se tornando um sexteto, com a entrada de Marvin e Chris Jasper, assinariam com a Epic e, de quebra,ingressariam na nova era da soul music, junto com Gaye, Tamptations & Wonder. 3+3, que é o resumo desses anos musicais, com farto uso de sintetizadores a la Steve Wonder (que, junto com eles, estava gravando innervisions no Plant Studios, e naturalmente que a troca de figurinhas seria inevitável), uma percussão mais trabalhada, backings mais elaborados e seções instrumentais, como o memorável solo de Ernie em That Lady, que transformou a canção numa mini-suíte e que, além disso, puxou o disco para o oitavo lugar na Billboard, fazendo o crossover entre o pop branco e o soul dos Isley Brothers — principalmente pelo sucesso do cover de Summer Breeze, do duo texano Seals and Crofts, de 1972.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

1 de novembro de 2009

Stooges - Raw Power


Stooges - Raw Power(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: David Bowie
Formação Principal no Disco: Iggy Pop - James Williamson - Ron Asheton - Scott Asheton
Estilo: Rock, Proto-punk
Relacionados: David Bowie/MC5/New York Dolls
Destaque: Penetration
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Os pretensos detratores de David Bowie podem acusá-lo de toda a sorte de coisas, exceto o fato de Ziggy não ser um bom samaritano. Depois dele dar uma cara tenência aos desgarrados do Mott the Hoople, ele não apenas salvou os stooges da "ostracismo records" quanto foi responsável pelo lançamento do antológico evangelho do punk rock, Raw Power. Bowie travou conhecimento com Iggy Pop que, aquela altura, dado o seu vício em colheres e agulhas, estava mais para uma pedra rolante do que para um band-leader e o convidou — junto com James Williamson — para gravar um disco na Inglaterra. A idéia inicial era fazer uma formação de Iggy com músicos de estúdio; contudo, ao não encontrar ninguém que entendesse suas idéias, Pop resolveu trazer para o seu exílio britânico os irmãos Ron e Scott Asheton. Logo, os Stooges estavam de volta. O genial em Raw Power é que, com o tempo passado desde o lançamento de Fun House, no longínquo ano de 1970, a banda pôde repensar o som dos Stooges para um terceiro disco. Ao invés de enxertar uma produção incompleta (caso do primeiro disco) ou simplesmente transpor a música do quarteto do palco para o estúdio, sem qualquer pré-produção ou mixagem posterior (como no caso de Fun House), com a ajuda de Bowie, eles decidiram fazer algo bem mais consistente, pretensioso e bem acabado. Raw Power é uma obra-prima do começo ao fim. Na época, só não viu quem quis. Até porque, num emaranhado de progressivo, glam, space rock e outras tendências, muita água ia rolar até que o paradigma que Iggy Pop pregava no deserto iria se transformar em realidade musical. Como aconteceu com os álbuns anteriores, Raw Power não obteve os louros da vitória em seu tempo — tempo esse que cuidou de, algum tempo depois, transformar os Stooges em pioneiros. Ou como diria Ezra Pound, em inventores: os inventores do punk.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

31 de outubro de 2009

Alice Cooper - Billion Dollar Babies


Alice Cooper - Billion Dollar Babies(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bob Ezrin
Formação Principal no Disco: Alice Cooper - Glen Buxton - Michael Bruce - Dennis Dunaway - Neal Smith - Donovan - Steve "Deacon" Hunter - Mick Mashbir - Dick Wagner - Bob Dolin - David Libert
Estilo: Hard rock
Relacionados: T.Rex/Todd Rundgren/Glen Buxton
Destaque: I Love The Dead
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Alice Cooper, assim como muitos outros grandes artistas do jet-set, seriam o tipo de sujeitos cuja personalidade se eclipsaria debaixo do próprio folclore, se naturalmente não tivesem o honesto respaldo do seu irretocável talento. É claro que, com o tempo e sem estímulo do própria arte, é possível que o primeiro vingaria em detrimento do segundo — e exemplos não faltam. Contudo, é fantástico perceber que Cooper, a despeito de ter sido obrigado a chamar a atenção do grande público fazendo uso do exótico e do excêntrico, pudesse sere capaz de suplantar qualquer um dos seus possíveis detratores com uma obra-prima incontestável que é Billion Dollar Babies. Para tanto, basta esquecer rótulos como shock rock & galinhas voadoras (?) e se concentre na música. Billion Dollar Babies é o ápice criativo da banda que, além da qualidade e excêlencia da produção musical, com momentos inesquecíveis, como Elected (cujo riff lembra vagamente Dolly Dagger, do Jimi Hendrix), No More Mr. Nice Guy, a pop Raped And Freezin' e a faixa que dá nome ao álbum, manteve o mesmo índice de popularidade e sucesso de crítica e público de School's Out e chegou ao primeiro lugar das paradas. Mas o notável em Billion Dollar Babies é ver que não existe praticamente nada de efêmero ou pretensamente comercial a ponto de colocar o disco na posição de destaque que ele conquistou: Alice Cooper conseguiu isso com a própria música. Alice Cooper alcançar o topo, o zênite. E, do topo, o próximo capítulo só poderia ser lomba abaixo — e Cooper quase conseguiu isso. Em Welcome to My Nightmare, nada mais seria como antes.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

30 de outubro de 2009

The Sensational Alex Harvey Band - Next


The Sensational Alex Harvey Band - Next(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: The Sensational Alex Harvey Band, Phil Wainman
Formação Principal no Disco: Alex Harvey - Zal Cleminson - Chris Glen - Hugh McKenna - Ted McKenna
Estilo: Glam Rock
Relacionados: Slayer/T.Rex
Destaque: Gang Bang
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Músico eclético, o escocês Alex Harvey é um caso único dentro do próprio subgênero do glam. Muito antes do auge do movimento, no começo dos anos 70, ele já tinha uma sólida e consolidada carreira tanto como intérprete solo quannto como crooner de uma banda de soul. A mudança viria em 72, quando Harvey coheceu Zal Cleminson, Ted McKenna e Chris Glen, que eram músicos de uma banda de progressivo, chamada Tear Gas. Juntando forças, o background de Alex somado ao rock experimental do Tear, eles azeitaram a máquina que seria a despretenciosa The Sensational Alex Harvey Band. Peculiar como tinha de ser, em Next, o terceiro álbum, o quinteto flana dentro do espírito glam, mas a distância deles dos seus coirmãos — Bolan, Bowie, e outros — é peculiar. em alguns momentos, como Gang Bang, ele namora o glam com todas as forças; em The Faith Healer, a banda vai para as prais do hard rock puro. Swampsnake tem alguma influência zappeana, que era um dos ídolos de Harvey. The Last of the Teenage Idols é um blues viajandão de sete minutos e Vambo Marble Eye, a melhor do disco, é um amálgama de The Who com Bo Diddley, porém com os dois pés no glam — e com um vocal memorável. O SAHB existe até hoje e têm milhoes de fãs, mas a fase áurea foi a que o próprio Harvey levantou estádios e gravou os históricos primeiros álbuns do quinteto, entre 73 e 76.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

29 de outubro de 2009

Paul McCartney & Wings - Band On The Run


Paul McCartney & Wings - Band On The Run(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Paul McCartney e Geoff Emerick
Formação Principal no Disco: Paul McCartney - Linda McCartney - Denny Laine
Estilo: Rock
Relacionados: Big Star/John Lennon/Todd Rundgren
Destaque: Mrs. Vanderbilt
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Em 1973, o Wings vivia um enorme sucesso de público: o disco anterior, Red Rose Speedway ainda estava nas paradas, principalmente por causa do single My Love. Além disso, Paul era o intérprete do filme Live And Let Die, do James Bond. Para a produção seguinte, o ex-beatle quis inovar. Descontente com o espaço que havia na Inglaterra em matéria de estúdios de gravação, ele solicitou à EMI para que eles lhe dessem uma lista de outros que estivessem à disposção, ao redor do mundo. McCartney fincou o dedo no mapa exatamente no extremo noroeste da África. O wings ia fazer o próximo álbum na subsidiária do selo britânico em Lagos, na Nigéria. Tudo foi planejado, exceto com relação às defecções de Henry McCullough e Denny Seiwell que, em cima do laço, pegaram o boné e desambarcaram da banda. Sem alternativa, os McCartneys pegaram Laine, mais Geoff Emerick, engenheiro de som que colaborava com Paul desde o começo dos Beatles e, em outubro, pegou o primeiro avião para a África. Em Lagos, Paul conduziu a base do disco, que seria completado em Londres, com a adição de orquestra e demais overdubs, ainda no mês seguinte. Band On The Run,o terceiro álbum do Wings (e quinto de Paul solo) seria lançado em dezembro, com grande estardalhaço. Puxado pela faixa-título, um pop progressivo, e principalmente Jet, chegaram ao topo das paradas no começo de 1974. Sobre o tema de Band On The Run Paul disse: "havia um monte de gente que estava sendo acossada pela Justiça — os Byrds, Eagles. Nós mesmos fomos pegos por posse de erva. Isso nos transformou em foras-da-lei. Nosso argumento com esse título é dizer: não nos coloque do lado errado; nós não somos criminosos". Na capa, ele aparece fugindo da prisão junto com outras celebridades, tais como Christopher Lee (que curiosamente seria o próximo vilão de 007), James Coburn e Kenny Lynch. Picasso's Last Words (Drink to Me), por sua vez, é uma peça folk vaudeville que faz uma espécie de brincadeira ao relembrar trechos de canções do disco, como leitmotives. McCartney diz que a idéia veio de Dustin Hoffmann, que lhe mostrou as "últimas palavras" do pintor andaluz impressas num semanário, e perguntou se ele conseguiria fazer uma canção sobre "qualquer coisa". Paul aceitou o desafio e a compôs, numa progressão fulminante, e tocou para o perplexo ator. Let Me Roll It, que seria um dos grandes momentos da Paul ao vivo, foi ligeiramente de ser um pastiche de John Lennon, acusação que ele refutou — muito embora o aranjo de piano, o contraste entre a primeira parte e o estrebilho, o reverber (típico das produções Lennon/Spector) e o sutil uso do piano o entregasse de bandeja. "Poderia ser mais uma canção dos Beatles", diz. "nós certamente a faríamos desta forma". Porém, se existe algo de cognato com o som do quarteto de Liverpool, duas canções são um tanto peculiares: uma é lírica e poética Bluebird, que poderia estar no White Album. A outra, Mrs. Vanderbilt, é a melhor canção dos Fab Four que eles nunca gravaram juntos.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

28 de outubro de 2009

ZZ Top - Tres Hombres


ZZ Top - Tres Hombres(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bill Ham
Formação Principal no Disco: Billy Gibbons - Dusty Hill - Frank Beard
Estilo: Blues
Relacionados: Freddie King/The Moving Sidewalks/13th Floor Elevators
Destaque: La Grange
Melhor Posição na Billboard: 8o

Opinião do leitor:
O Texas é a terra do Alamo, de Roy Orbison, de Hank Thompson, Ray Price, Johnny Winter, da Janis, do Buddy Holly e também é a terra do ZZ Top. Formada em 1969, ou seja, o trio é provavelmente a banda dos anos 60 mais antiga, senão a única, a manter a formação original e estar ainda na ativa. Começou tocando no sul do antigo estado confederado até conseguir abrir show para os Rolling Stones no Havaí — principalmente pelo fato de ambos pertencerem a mesma gravadora, a Decca/London. Assim como no caso do quinteto britânico, o ZZ Top fazia basicamente um blues melódico (fato que naturalmente chamou a atenção de Mick e Keith), impecável, honesto, eficiente e bem menos complexo do que o dos Allman Brothers, por exemplo. Pode se dizer que, por conta de tal virtude, o trio não tinha pretensões de bancarem os desbravadores de um novo subgênero do blues ou de serem arquitetos de uma revolução musical. Pelo contrário, a fácil comunicação com o público sempre caracterizou a banda de Billy Gibbons. Contudo, foi o terceiro disco deles, Tres Hombres, que marcou um momento crucial na carreira deles. Depois de naufragarem no fundo da lista da Billboard com os dois primeiros álbuns — ZZ Top's First Album e Rio Grande Mud , seu terceiro trabalho foi o começo do sucesso. Canções como Hot, Blue, And Righteous e, principalmente, La Grange. Lançada em single, esse blues de "um acorde só" foi responsável pelo aliciamento massivo de um gigantesco número de fãs do ZZ Top que, sem muita dificuldade e com um pouco de sorte, levou apenas uns quatro anos para fazer sucesso da noite para o dia; sucesso esse, que dura exatos quarenta anos.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

27 de outubro de 2009

Stevie Wonder - Innervisions


Stevie Wonder - Innervisions(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Stevie Wonder, Robert Margouleff e Malcolm Cecil
Formação Principal no Disco: Stevie Wonder - Malcolm Cecil - Dean Parks - David "T" Walker - Clarence Bell - Ralph Hammer - Larry "Nastyee" Latimer - Scott Edwards
Estilo: Funk/Soul
Relacionados: Sly Stone/Marvin Gaye/Curtis Mayfield
Destaque: Living In The City
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
A Motown criou um estilo musical pelos anos 60 afora que foi a sua marca registrada. Porém, por conta do seu indelével sucesso no mercado, foi muito difícil para que o selo abdicasse de seu cânone em favor de experiências musicais de seus intérpretes: a resistência de seus executivos foi enorme — principalmente nos anos 70, quando alguns dos seus principais nomes decidiram ter total controle musical nas suas produções. Assim foi com Marvin Gaye. Ele bateu pé, e levou. O corolário, todos conhecem; a despeito de todos os riscos em matéria de sucesso, ele levou os louros da vitória, mas é natural que a revolução aconteceu porque Gaye tinha peso e visibilidade. Em resumo, ele abriu o caminho. E se foi assim com Marvin, não seria diferente com Stevie Wonder. De um lado, além de canções românticas, ambos passaram a compor letras de temática social. Por outro, do ponto de vista instrumental, Wonder se mostrou um músico de gosto e sensibilidade ímpar, desde o disco Music Of My Mind, onde ele se tornou um desbravador no estúdio de gravação, trabalhando com lavor de joalheiro nos arranjos de suas músicas, principalmente ao que concerne à seção dos teclados. Pois um dos grandes momentos daquele que é chamado o período clássico de Steve, o álbum que melhor sintetiza essa filosofia musical é Innervisions. Para começar, a instrumentação essencialmente calcada nos teclados, tocados todos por ele mesmo (Wonder toca literalmente todos os instrumentos em algumas faixas, como a genial Living In The City) — em especial sintetizadores como TONTO (que era utilizado como contrabaixo), ARP (que percorre todo o álbum, e que se tornaria coqueluche em quase toda a produção posterior no gênero) e a clavineta Hohner (aquela, de teclas pretas) que, juntos, são a moldura dos principais temas do disco, como Golden Lady, Higher Ground ou Too High. Do outro lado, letras que falam de (in) transcendência do ser humano (Higher Gound), visões de uma juventude corompida pela sociedade na América (Living In The City), drogas (Too High, com um groove irresistível). Mas também há o Steve Wonder slow roller, como na comovente All In Love Is Fair, basicamente calcada no piano (e uma das interpretações mais expressivas de Wonder, se não a maior, na gradação simétrica à emoção da letra), e Visions, a única faixa acústica de Innervisions e que Wonder deixa de ser o multi-instrumentista para dar lugar à guitarra clássica de Dean Parks (que era músico de estúdio do Steely Dan) e a elétrica de David Walker. Enfim, Talking Book é muito bom, Music Of My Mind é excelente, mas Innervisions é inefável.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

26 de outubro de 2009

Pink Floyd - Dark Side Of The Moon


Pink Floyd - Dark Side Of The Moon(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Pink Floyd
Formação Principal no Disco: Nick Mason - Roger Waters - Richard Wright - David Gilmour - Clare Torry - Dick Parry - Lesley Duncan – Barry St. John - Doris Troy
Estilo: Progressive Rock
Relacionados: Yes/Genesis/King Crimson
Destaque: Time
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Ele foi lançado num 31 de março de 1973, tendo vendido até hoje mais de 36 milhões de cópias em todo o mundo, mantendo ainda o recorde de longevidade na Billboard, com 741 semanas de permanência no topo das paradas. Trata-se de The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, fenômeno do rock e obra-prima magna do progressivo, permaneceu por duas décadas entre os duzentos títulos mais procurados nos Estados Unidos, recorde compilado no Guiness Book. As gravações começaram em junho de 1972 nos estúdios da EMI em Abbey Road, Londres, Inglaterra, e continuaram em pequenos estúdios até Janeiro de 73, quando o algum foi editado e mixado por Alan Parsons durante todo o mês de fevereiro, indo para as lojas no fim de março. O disco acabou virando mania, e o é ainda, até hoje. A excepcional aceitação levou a EMI a construir uma gravadora na Alemanha especialmente para realizar a prensagem do álbum, algo que não seria estranho hoje, mas há três décadas atrás, tal fato não deixava de parecer um tanto exótico. Mas o que ainda é insuperável no álbum é a sua densidade sonora e uma maturidade musical que não encontrou cognato até hoje. Considerando as explorações sonoras do disco, o Pink Floyd conseguiu tornar um dos seus trabalhos mais intensos dentro da estética “difícil” do progressivo como o seu disco mais popular. Um pequeno olhar por sobre as faixas permite entender o motivo disso. Principalmente por causa das letras de Roger Waters, que traduzem uma atmosfera afetiva não muito estranha ao ouvinte menos atento. É justamente isso o que dá vida às canções, todas muito bem trabalhadas (o disco foi ensaiado exaustivamente para que se pudesse chegar ao paroxismo de traduzir a idéia exata de cada movimento, da textura de cada acorde), o que franqueia a Dark Side Of The Moon a sua verdadeira força e o enfeixamento de sua estrutura melódica, que mistura um neo-psicodelismo, jazz-fusion e blues-rock numa estética particular. Como todo trabalho conceitual, pode-se perder a vida inteira analisando todos os prismas que o disco proporciona, pode-se encontrar a si mesmo, a uma história com começo, meio e fim e, nesse sentido, é difícil ouvi-lo em parte. É preciso ouvir o disco inteiro, como cada faixa seja um movimento específico de uma suíte. Outro fator valorativo em Dark Side Of The Moon, como disse alguém, é a sua proposta conceitual — coisa que era muito comum, naqueles tempos. Entre as síncopes cardíacas e tiques de relógio que abrem e fecham o disco, se delinearia ali todo um ciclo de vida numa colcha de retalhos cujos temas desenvolveriam temas específicos que “mapeiam as principais neuroses do homem moderno”: a alienação (“Breathe”), ansiedade, pessimismo, a inexorabilidade da passagem das horas (“Time”), isolamento (“Us and Them”), ambição (“Money”) e a insanidade como única saída real (“Brain Damage”). Interpretações para o que seja o lado escuro da lua existem, num desfile de paradoxos. Existe um lado obscuro na razão, e outro perfeitamente lúcido em estar louco. O ser humano como um Sísifo de si mesmo, correndo atrás do Sol que desaparece, tudo sob o manto do Astro-Rei está em sintonia, mas o Sol é eclipsado pela Lua. Nesse aspecto, do manifesto e o encoberto, muito entendem o Dark Side Of The Moon como uma metáfora de Syd Barrett, membro original da banda, que deixou o Pink Floyd devido a problemas psicológicos agravados pelo uso de alucinógenos. Ele seria o lunático na grama, em “Brain Damage”. Alguns críticos consideram que, se de fato Barrett é o personagem principal por trás do disco, a verdade é que Dark Side representou o momento em que a banda conseguiu superar musicalmente o seu criador, trilhando a partir daí o seu próprio caminho.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

Waylon Jennings - Honky Tonk Heroes


Waylon Jennings - Honky Tonk Heroes(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Waylon Jennings, Ken Mansfield
Formação Principal no Disco: Kris Kristofferson - Willie Nelson - Waylon Jennings - Billy Joe Shaver
Estilo: Country
Relacionados: Johnny Cash/Willie Nelson/Kris Kristofferson/Fred Foster
Destaque: Honky Tonk Heroes
Melhor Posição na Billboard: 14o

Opinião do leitor:
Waylon Jennings podia entrar para a história como o sujeito que cedeu o lugar no Beechheart Bonanza que matou o DJ Big Bopper em seu lugar, junto com Buddy Holly e Ritchie Valens. Na ocasião, sem os Crickets, o guitarista colocou ele como baixista. Jennigs teve sorte, porém, por um chiste, ele carregou a culpa pelo acidente pelo resto da vida. Ao se despedir, ele disse a Waylon; "tomara que você congele o traseiro naquele ônibus". O baixista da banda respondeu: "e tomara que seu avião caia". Waylon Jennings levou anos para se recuperar, até que, voltando à atividade como guitarrista, seu instrumento original, ele foi descoberto por Duanne Eddy, que sugeriu a Chet Atkins, que era o rei da cena musical de Nasville — junto com o produtor da RCA, Owen Morris. Jennings assinou contrato e gravou dezenas de discos entre 65 e 71, até que começou a se cansar da ditadura musical de Nasville (e de seu estilo demasiadamente parecido com o de Johnny Cash), extremamente afetada, pomposa, sisuda e anacrônica como o Roy Rogers. Atraído por outro desgarrado, Willie Nelson, e junto com Kris Kristofferson ele seria um dos precursores da oposição ao Nashville Sound (cria direta de Morris), o Outlaw Country. Mal comportado, imbuído de espírito juvenil e mais relacionado com o country-rock e o próprio rock, eles seriam, nos anos 70, aquilo que o próprio Man In Black foi, um transgressor e o artiosta que, com seu talento, visibilidade ímpeto e fama de mau, mudou a cara do country — para melhor. Quem iria carregar a tocha a partir dali seriam os artífices do movimento fora-da-lei. Assim como Nelson, Jennings mudou o visual clean por um estilo formal às raias do desleixo. juntos, eles pareciam oakies hippies figurantes do Sem Destino. a coisa deu certo e, depois que Willie passou para a CBS e Jennigs pôde ter autonomia criativa, graças ao fato de ter a colaboração de músicos afins, ele descobriu o som que ele procurava e viu sua carreira mudar. Mais do que isso, viu o próprio gênero onde ele formou seu estilo mudar também. Longe do purismo de cantores bem comportados (e por que não dizer, datados), como Jim Reeves ou Skeeter Davis, os outlaws criaram um som mais despojado, atraindo um novo público. Honky Tonk Heroes foi, por conta disso, a pedra-de-toque daquela nova dentição do estilo entronizado por Hank Williams. You Asked Me To, parceria com Billy Joe Shaver (que também influenciaria largamente a música de Elvis Presley do Nashville Sound para o Outlaw, nos anos 70), chegaria ao oitavo lugar na seção country da Billboard.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

25 de outubro de 2009

Steely Dan - Countdown to Ecstasy


Steely Dan - Countdown to Ecstasy(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Gary Katz
Formação Principal no Disco: Donald Fagen -
Walter Becker - Ray Brown - Denny Dias - Jeff "Skunk" Baxter - Ben Benay - Rick Derringer - Jim Hodder - Victor Feldman - Ernie Watts - Johnny Rotella - Lanny Morgan - Bill Perkins - Sherlie Matthews - Myrna Matthews - Patricia Hall - David Palmer - Royce Jones - James Rolleston - Michael Fennelly - Jake Richardson

Estilo: Jazz-Rock
Relacionados: Can/Soft Machine/
Destaque: My Old School
Melhor Posição na Billboard: 35o

Opinião do leitor:
Numa época em que reinava o rock progressivo e o glam ou o soft rock, surgiu uma banda que ia na contramão daquela voga, que paradoxalmente além não seguir o cânone das paradas, fazia um som que era difícil de classificar. O Steely Dan deu o recado com Can't Buy a Thrill, que soava complexo e inteligente contudo sem parecer maçante. Já o seu segundo trabalho, Countdown To Ecstasy, era um pouco diferente: era tão complexo quanto, mas bem mais acessível sem soar simples. Dessa vez, eles não conseguiram o impacto de Do It Again e tampouco conseguiram superar o sexto lugar na Bilboard do ano anterior. Mas, sem dúvida, Countdown To Ecstasy é um dos melhors discos do Steely (só pode perder para Gaucho pelo perfeccionismo e Can't Buy a Thrill pela approach e a qualidade artística. Porém, na opinião de muitos fãs — e do próprio Donald Fagen, é o preferido de muitos. Principalmente pelo acento pop e pela escolha em criar aranjos bem trabalhados mas com faixas curtas. Bodhisattva é um exemplo de dosar de forma perfeita virtuosismo e bom gosto pop. Mesmo assim, não charteou e quebrou a expectativa da banda, que apostou as fichas em Show Biz Kid. O retorno ao topo só se daria com Rikki Don't Lose That Number, do Pretzel Logic, uma das músicas mais legais da década. Mas aí é outra história...

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

24 de outubro de 2009

Elton John - Goodbye Yellow Brick Road


Elton John - Goodbye Yellow Brick Road (1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Gus Dudgeon
Formação Principal no Disco: Elton John - Dee Murray - Davey Johnstone – Nigel Olsson – David Hentschel
Estilo: Soft Rock, Piano Rock
Relacionados: Bread/America/Procol Harum
Destaque: Candle In The Wind
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Yellow Brick Road é o nome daquela caminho que levou Dorothy Ventania e seus amigos, o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão Medroso até a Cidade das Esmeraldas, para travar conhecimento com um misterioso mágico que lá habitava, segundo o conto de Lyman Frank Baum, O Mágico de Oz. Também é o nome da obra-prima de Elton John (que também é 'amigo da Dorothy'), e o ápice da colaboração entre o compositor inglês e Bernie Taupin. O trabalho era prolífico e de tanta qualidade que iria render um álbum duplo e coroar a fase de ouro, ou o Século de Péricles de Elton John, que começou com o Madman Across The Water e chegaria ao ápice com o Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy. Não há muito o que acrescentar sobre oum disco como Yellow Brick Road — bastaria citá-lo como um potencial hit-singles pack, com canções que iriam grudar no topo das paradas, como Harmony, Candle In The Wind e que permaneceriam no seu repertório para sempre: Saturday Night's Alright for Fighting, a épica Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding, a cabulosa All the Girls Love Alice e a mais pedida nos vitrolões da vida, a citada Goodbye Yellow Brickroad. Detalha para o quarteto que emoldura o álbum, Dee Murray, Davey Johnstone, Nigel Olsson e David Hentsche, especialmente Dee, um ótimo e subestimado baixista. Enquanto Elton manteve esta fórmula musical, ele foi imbatível.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

23 de outubro de 2009

Todd Rundgren - A Wizard, a True Star


Todd Rundgren - A Wizard, a True Star (1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Todd Rundgren
Formação Principal no Disco: Todd Rundgren
Estilo: Art rock
Relacionados: Roxy Music/David Bowie/Brian Eno
Destaque: Never Never Land
Melhor Posição na Billboard: 86o

Opinião do leitor:
Depois de consolidar sua carreira em Something/Anything?, seu terceiro disco solo, Todd Rundgren resolveu fazer aquilo que muitos artistas na época faziam: ao invés de repetir a dose com o mesmo rótulo power pop do elepê anterior, Tod decidiu chutar o balde e fazer um épico, intitulado A Wizard, a True Star. Longe do rock bem comportado que o entronizou, Rundgren fez um disco multi-facetado, eclético, que vai do progressivo ao bublegum sem (ter/querer) prestar contas a ninguém. A quebra de expectativa por parte dos seus fãs seria compreensível, mas A Wizard, a True Star é uma pérola. Difícil de ouvir, mas vale a pena, pela qualidade de sua produção, pelo prefeccionismo que sempre marcou a sua música &, pçrincipalmente, pela pretensão de lançar um disco de uma hora de art rock, amalgamando toda a sorte de estilos modernos e antigos, psicodelia, música concreta, vaudeville, soul e pura poesia. Por exemplo, na primeira parte do LP, Todd renuncia à faizas uniformes, como num álbum comum, e faz uma rapsódia sonora ligeiramente próximo do medley de Abbey Road, dos Beatles. O lado B é menos pop e bem mais experimental, com canções que vão do space rock, música concreta e psicodelismo, como Flamingo e You Don't Have To Camp Around.



Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

17 de outubro de 2009

Mike Oldfield - Tubular Bells


Mike Oldfield - Tubular Bells (1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Mike Oldfield
Formação Principal no Disco: Mike Oldfield
Estilo: Progressive rock
Relacionados: The Whole World/Soft Machine/Kevin Ayers
Destaque: Tubular Bells
Melhor Posição na Billboard: 10o

Opinião do leitor:
Multi-instrumentista e expediiconário musical, Mike Oldfield já dava mostras de sua genialidade quando de sua colaboração breve porém significativa com o ex-Soft Machine Kavin Ayers, tanto no conjunto ' imaginário ' The whole world quando nos discos solo de Ayers, como Whatevershebringswesing, cuja faixa (uma baladona a la Leonard Cohen) que dá título ao disco traz, além do baixo de Mike, um solo de guitarra memorável, também de sua inspiração. Foi nessa época, no começo dos 70, que Oldfield começou a esboçar o que seria o seu primeiro álbum que nasceu antológico, Tubular Bells. Mike chegou a gravar uma esquete do seu projeto — uma suíte instrumental em duas partes. Contudo, sempre que ele tentava vender a idéia para algum selo, todos lhe batiam a porta na cara, alegando que "aquilo" era impossível de ser registrado. Foi quando um produtor da nascente Virgin Records, Richard Branson, topou o desafio. Com o auxílio de dois engenheiros de som, Oldfield assim pôde dar asas à imaginação. O peculiar é, graças ao approach da dupla, ele resolveu dispensar qualquer uso de músicos de estúdio e gravar tudo sozinho: guitarra clássica e elétrica, Hammond, farfisa, celesta, piano, mandolim, tímpanos, violino, vocais e, é claro, sinos. Ainda que fruto de uma época, Tubular Bells teria tudo para ser anti-comercial, mas o elepê, suas seções diversas que preenchem respectivamente cada um dos lados do disco, virou coqueluche e chegou ao topo das paradas britânicas, em agosto de 1973 — principalmente por conta de uma verao reduzida da primeira parte, que saiu em compacto simples. Complexo e multifacetado, Tubular Bells é um carossel de melodias, harmonias, sessões rítimicas que se sucedem em forma rapsódica, amalgamando estilos diversos e instrumentos idem cujo final é um crescendo onde vários instrumentos desenvolvem, cada um ao seu tempo um tema comum, mais ou menos como no Bolero, de Maurice Ravel. A última suíte, que certamente influenciou o movimemtno new age, começa com uma linha de baixo e um tema pastoral em guitara clássica que se liga a um trecho fantástico nos sintetizadores, marcado pelo tímpano, lembrando a sinfonia em Lá Maior, de Beethoven, que se interliga a um pop grotesco, onde Mike fica latindo e uivando, até desaguar num tema pinkfloydianamente onírico, um plangente concerto entre órgão e guitarras, a a viagem muda de sentido tudo terminando de forma divertidíssima e surpreenddente na música do Popeye (cantiga do marinheiro). A idéia ligeiramente remete às suítes barrocas do Bach, que terminam sempre com um tema pitoresco e alegre. Tubular Bells foi relançado em edição de luxo no começo de 2009.




Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

16 de outubro de 2009

Mott the Hoople - Mott


Mott the Hoople - Mott (1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Mott the Hoople
Formação Principal no Disco: Ian Hunter - Mick Ralphs - Pete "Overend" Watts – Dale "Buffin" Griffin
Estilo: Glam Rock
Relacionados: Slade/T.Rex/David Bowie
Destaque: All the Way from Memphis
Melhor Posição na Billboard: 10o

Opinião do leitor:
O Mott the Hoople era uma espécie de versão rock do Incrível Exército de Brancaleone: fazia sucesso fora da Itália, não tinha um público definido, num nome definido e sequer um vocalista definido. Pelo menos foi o que Mott the Hoople, empresário do Procol Harum que decidiu adotá-los. No lugar de Stan Tippins, colocou Ian Hunter e deu-lhes uma chance na Island, que gostava de atsistas daquele gênero "sem gênero". na verdade, o Hoople parecia uma versão random dos Youngbloods; eficientes, mas sem uma imagem particularmente peculiar. Lançaram dois discos pela gravadora, mas não venderam nada e foram espinafrados pela crítica. No começo de 1972, depois de uma excursão frustrada, eles decidiram entrar em concordata. Mas não acabaram: descobriram um ilustre mecenas, chamado David Bowie. Ziggy ofereceu-lhes duas composições, sendo que uma delas, All the Young Dudes (que o Oasis cita em Whatever), foi um tremendo sucesso e virou hino glam. Aliás, Bowie fez com que eles embarcassem na moda, e foi isso que mudou a careira dos hooples. A relação entre David e a banda de Hunter mas a canção permitiu que o quareto conseguisse um contrato novo em folha com a CBS para lançar o seu disco mais conhecido, Mott. Sua peculiariedade é ser mais soft rock e menos afetado que os próprios trabalhos de Bowie e de Marc Bolan, a apesar de, com efeito, ser classificado como glam. Por isso talvez, e talvez por isso mesmo, ele soa menos datado e extremamente fácil de escutar. All the Way from Memphis, além de virar clássico, foi parar na trilha de Alice Doesn't Live Here Anymore, de Martin Scorcese. Junto com a roqueira Whizz Kid e a magistral e quasi-dylaniana Hymn for the Dudes, formam uma sequüência incrível; Honaloochie Boogie, o single do disco, chegou ao décimo segundo lugar nas paradas britânicas, segurando o sucesso de All the Young Dudes, Violence inspirou o antológico (?) solo de Ovelha Negra; I’m a Cadillac/El Camino Dolo Roso é um trip folk lapidar, de deixar Roger McGinn com água na boca e, junto com a acústica I Wish I Was Your Mother, fecha o disco de forma surpreendente, soando Bob Dylan, ao som de mandolins. Nota 10.




Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

15 de outubro de 2009

Herbie Hancock - Head Hunters


Herbie Hancock - Head Hunters (1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Dave Rubinson
Formação Principal no Disco: Herbie Hancock - The Headhunters
Estilo: Jazz Fusion
Relacionados: Miles Davis/Chick Corea/Wayne Shorter
Destaque: Vein Melter
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Depois do advento do antológico e controverso (por seus detratores, naturalmente) Bitches Brew, clássico de Miles Davis, Herbie Hancock, que já tinha um pé — ou as duas mãos — com tendências a vôos mais distantes do paradigma do jazz tradicional, abandonou o formato tradicional em favor de um som mais eletrificado, com influências de improvisações típícas do rock de seu tempo. O fusion no jazz seria uma mudança radical neste gênero, e a obra de Herbie, a partir de então, junto com a de Miles, seria a voz onipitente nesse estilo. Dessa concepção, nasceram os álbuns Mwandishi, Crossings, Sextant e o mais expressivo desse conjunto, Head Hunters, de 1973. Porém, ao contrário do clima experimental, onírico e etéreo desses discos, o pianista e compositor norte-americano preferiu se enveredar por um som mais telúrico, e mais próximo de ritmos 'palpáveis', como o soul e o funk — enfim, um trabalho mais pop. Para tanto, ele formou uma nova banda, The Headhunters, contudo mantendo Bennie Maupin (sua pela de resistência, e que havia também participado do Bitches Brew) do sexteto que participara de Mwandishi, e incluindo o contrabaixista Paul Jackson e o baterista Harvey Mason — provavelmente a melhor que já tocou com ele. A despeito de ser acusado pelos puristas de ter "traído o movimento" ao fazer um trabalho ligeiramente comercial, Herbie conseguiu fazer com que ouvintes de jazz ouvissem R&B e vice-versa. A verdade é que o fusion no gênero entronizado por Louis Armstrong foi uma realidade muito difícil de ser engolida pelos entusiastas do gênero: o próprio Miles Davis levou muito tempo para ser perdoado por mudar o seu som. Seria natural que Hancock sofresse resistências, protestos e se tornasse mote de discussões bizantinas por mudar o jazz. Faixas como Watermelon Man (que, aliás, foi feita para o seu primeiro LP e retrabalhada, anos depois) e Chamaleon estão muito mais próximas das praias do funk do que do bland jazzístico. Ele mesmo se defendeu, dizendo que realmente gostava dos doscos de Sly stone e que achava que estava muito longe do seu público com sua fase de vanguarda. Ou seja, seria injustiça classificar Head Hunters de uma obra gratuitamente comercial; sem dúvida, é um disco inteligente, sincero, singular, quer queira, quer não queira, é jazz e é Herbie Hancock.



Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

10 de outubro de 2009

Faust - Faust IV


Faust - Faust IV (1973)

Origem: Alemanha/Inglaterra
Produtor: Uwe Nettelbeck
Formação Principal no Disco: Werner "Zappi" Diermaier - Hans Joachim Irmler – Jean-Hervé Péron – Rudolf Sosna – Gunter Wüsthoff
Estilo: Krautrock
Relacionados: Tangerine Dream/Soft Machine/Can
Destaque: Sad Skinhead
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
O Krautrock é um dos gêneros mais subestimados do rock e, ao mesmo tempo e por conta disso, um dos mais fascinantes. O fato de lidar com fundamentos pré-estabelecidos do gênero entronizado por Elvis Presley, como o progressivo, o psicodelismo dos anos 60, o jazz fusion e concepções formais emprestadas da música clássica, amalgamento estilos, tendências e subvertendo todos os gêneros musicais possíveis, entrando e saindo de toda e qualquer estrutura, o transformou, a um só tempo, em um monumento inexpugnável, explosivo e criativo na música. Ao mesmo tempo, é um desafio ao ouvinte: pode tanto se basear em formulas pré-definidas quanto parecer totalmente antimusical e aestético. O Krautrock, como se sabe, gerou dois rebentos: um é o largamente citado Can, de Holger Czukay; a outra efeméride musical da terra de Brahms nesse inefável estilo é o Faust. No período breve porém prolífico, de 1971 a 1976, eles produziram quatro álbuns que são o evengelho do gênero. Mesmo não sendo comercialmente bem recebido em seu disco de estréia, a banda foi prontamente aclamada pela crítica e, com uma ajudinha promocional (inclusive por conta da concepção das belíssimas capas transparentes dos LPs), conseguiu invadir a Inglaterra, formando, na terra de Sheakespere, uma honesta legião de fãs. Faust IV, de 1973, é o paroxismo da experimentação sonora do conjunto. Pouco mais de quarenta minutos de vilegiatura musical, intercalando temas de estilos diversos; em determinado momento, pode ser uma suíte instrumental de vinte minutos (Krautrock) que acaba num scherzo (Sad Skinhead) de dois minutos, soando totalmente como um pastiche pop, baladas psicodélicas (Jennifer), culminando em grooves instrumentais inebriantes(Picnic On A Frozen River, Deuxieme Tableux), trip rock (Giggy Smile), música eletrônica (Lauft..Heisst Das Es Lauft Oder Es Kommt) Bald..Lauft). It's a Bit of a Pain, o finale, é uma cantiga pastoral nos violões, contrastando com o disco — muito embora ela vá assustadoramente sumindo em meio a distorções, ruídos e solos de guitarra. Clássico dos clássicos.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

9 de outubro de 2009

Roxy Music - For Your Pleasure


Roxy Music - For Your Pleasure (1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Chris Thomas
Formação Principal no Disco: Bryan Ferry - Brian Eno - Andy Mackay - Phil Manzanera - Graham Simpson - Paul Thompson - John Porter
Estilo: Art Rock
Relacionados: T. Rex/Soft Machine/Can
Destaque: In Every Dream Home a Heartache
Melhor Posição na Billboard: 4o

Opinião do leitor:
O Roxy Music conseguiu a façanha de emplacar um álbum de estréia antes de ter assinado contrato com a gravadora, atingindo o primeiro lugar nas paradas, em 1972. Tal façanha foi suficiente para que a banda de Bryan Ferry tivesse carta branca para mandar e desmandar em seu segundo trabalho, For Your Pleasure. Para eles, seria um turning point em sua careira: seria o começo da relação entre o Roxy Music e o produtor do Pink Floyd, Chris Thomas; ao mesmo tempo, cansado do mundo do jet-set e das constantes brigas com Ferry, seria o último disco de Brian Eno antes dele resolver desembarcar para uma exitosa careira-solo. Por conta disso — e muito mais, For Your Pleasure é um momento único. Com mais tempo de estúdio e os auspícios da Island, a banda fez um clássico, que ia de faixas como Beauty Queen — singela elegia para a modelo Valerie Leon, então namorada de Ferry. Por sinal, porém, não é ela quem ilustra a capa do disco, naturalmente idealizada por Bryan, mas Amanda Lear, embora muitos confundam; e In Every Dream Home a Heartache outra singela elegia, porém, desta vez, para uma boneca inflável ("I blew up your body/but you blew my mind"). Mesmo não lançada em single (em favor de uma faixa extra, Pyjamarama) — assim como nenhuma faixa de For Your Pleasure não seria também — essa se tornaria uma das canções mais famosas do Roxy Music. Já a experimental Bogus Man (totalmente genial pelos improvisos de Andy Mackay e Phil Manzanera no saxofone e na guitarra, respectivamente)por sua vez, seria uma incursão pelo mundo do kautrock, que então estava em moda (?) na época. Mas o grande barato de For Your Pleasure é a seção de teclados — piano, Hohner Pianet e o Mellotron, que perfaz todo o disco, capitaneada por Ferry, especialmente em faixas como Strictly Confidential, além da já citada In Every Dream Home a Heartache.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

7 de outubro de 2009

John Martyn - Solid Air


Marvin Gaye - Let's Get It On(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: John Wood
Formação Principal no Disco: John Martyn - Richard Thompson - Simon Nicol – Sue Dranheim – Tony Coe – John "Rabbit" Bundrick –
Tristan Fry – Danny Thompson – Dave Pegg – Dave Mattacks – Neemoi "Speedy" Acquaye
Estilo: Folk Jazz
Relacionados: The Incredible String Band/Nick Drake/Danny Thompson
Destaque: Dreams By The Sea
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Um dos melhores discos dos anos 70, Solid Air é um álbum lapidar e magistral. E, como não poderia deixar de ser, extremamente subestimado: primeiro porque está longe de ter qualquer pretensão comercial, já que explora um tipo de música que passa longe do que pode ser considerado hype, mas que nasceu com a vocação da eternidade. Isso sem contar que seu insigne criador, o guitarrista John Martyn, era um expedicionário musical. Filho de operistas, desde jovem ele flertou com o folk alternativo inglês de meados dos anos 60 — especialmente com Clive Palmer e o pessoal da maluquíssima The Incredible String Band. Mas sua influência maior foi o violonista Davy Graham, que também influenciaria o trabalho de um parceiro seu (de gravadora também, a Island, onde eles debutariam em disco, no fim dos anos 60), Nick Drake. Como resultado de tamanha excelência e ecletismo, Martyn explorou vários estilos e tendências em álbuns entre 1968 e 1973, como Bless the Weather. No entanto, o paroxismo de seu desenvolvimento sonoro desagua no disco posterior, Solid Air — tanto no seu desempenho ao violão quanto na paleta de instrumentos diversos (mandolins, harpinhas, clavinetas, wah wahs, sintetizadores, violinos e o sax de Tony Coe) que integram os arranjos do álbum e o inefável timbre vocal de Martyn, em faixas como Dreams By The Sea — uma aula magna de bom gosto e sensibilidade musical do começo ao fim.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

6 de outubro de 2009

Marvin Gaye - Let's Get It On


Marvin Gaye - Let's Get It On(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Marvin Gaye, Ed Townsend
Formação Principal no Disco: Marvin Gaye - James Jamerson - Wilton Felder - Bobby Hall Porter - Eddie "Bongo" Brown - Paul Humphries, Uriel Jones - William McKeekin - Art Stewart - Steve Smith, Lawrence Miles - Cal Harris - David T. Walker - Eddie Willis - Lewis Shelton - Melvin Ragin - Robert White
Estilo: Soul
Relacionados: Stevie Wonder/Temptations/Barry White
Destaque: Let's Get It On
Melhor Posição na Billboard: 2o

Opinião do leitor:
Depois de divagar sobre o que estava acontecendo, Marvin Gaye resolveu ficar numa relax, numa tranquila, numa boa: ao contrário do politizado What's Going On?, o príncipe da Motown decidiu fazer um disco recheado de canções pop românticas e exarcebadamente sensuais. O curioso é que Gaye havia batido pé diante de Barry Gordy para gravar um álbum de protesto. Diante do êxito de What's Going On?, o todo-poderoso dono da Tamla não deve escolha a não ser renegociar o contrato com sua maior estrela e, naturalmente, deixá-lo ficar à vontade para gravar o que quiser. Qual não seria a surpresa quando, depois de flanar pelo universo da crítica social — que estava mais do que em voga naqueles anos políticos de filmes tipo blaxploitation (ele chegou a trabalhar como compositor em Trouble Man, de 72). Let's Get It On, por sua vez, marcou um ponto crusial na careira de Marvin, onde ele iria desenvolver o um estilo mais low profile, em canções pop açucaradas, em álbuns de produção impecável. De certa maneira, seria uma guinada e tanto, já que a quebra de expectativa poderia frustrar boa parte dos seus fãs mais "engajados". Contudo, a questão é que ele era Marvin Gaye. E mais do que isso, o conteúdo sexual na lírica de Let's Get It On não era gratuito: era uma espécie de revelação catártica de Marvin em redescobrir o amor depois de sofrer, de acordo com seus biógrafos, com um sentimento de culpa com relação à sexo, causada pela rígida educação cristã, imposta por seu draconiano pai (que, como se sabe, tempos depois, seria o seu algoz). Dessa forma, a malícia do disco cinge a pureza de sentimentos, aliada naturamente ao extremo bom gosto dos aranjos e a inteligência de sua concepção musical, que catapultaram o disco para o topo das paradas soul norte-americanas naquele verão de 1973 e se tornou a obra-prima de Marvin Gaye — prá não classificá-lo como o disco mais emblemático e genial de um cantor/compositor do gênero em todos os tempos.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

2 de outubro de 2009

Genesis - Selling England By The Pound


Genesis - Selling England By The Pound (1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: John Burns / Genesis
Formação Principal no Disco: Peter Gabriel - Steve Hackett - Mike Rutherford - Tony Banks - Phil Collins
Estilo: Prog Rock / Progressive Rock
Relacionados: Yes; King Crimson; Pink Floyd
Destaque: The Battle Of Epping Forest
Melhor Posição na Billboard: 70º

Opinião do leitor: "Você pode me dizer onde está o meu país?", assim começa o hipnótico álbum conceitual do Genesis lançado ao fim de 1973. Selling England By The Pound é a afirmação do Genesis como uma das maiores bandas do progressivo e, para a época, do rock. Em diversos aspectos, Selling England By The Pound é inovador, não apenas dentro da temática progressiva, mas para a indústria fonográfica em si. Músicas com muitas quebradas de tempo, alterações de estilo, uso indiscriminado de sintetizadores e o teatralismo do seu vocalista Peter Gabriel são os principais trunfos. No palco, porém, os "anjos de Gabriel" (nome que Peter queria para a banda) se portavam de modo inovador, principalmente a partir desta época. Muitos figurinos, arte visual rebuscada (que o diga a linda capa de Selling England By The Pound, versão modificada d'O Sonho de Betty Swanwick) e músicas extremamente rebuscadas e complexas. After The Ordeal e a clássica Cinema Show são extremamente ricas e casam muito bem em sequência. As músicas "conceituais" do disco, sobre a decadência da Inglaterra no passado e no presente, são fantásticas e cheias de preciosidades ocultas. As interpreções da faixa-título ou da idílica Battle of Epping Forest são épicas e inimagináveis para qualquer outra banda, talvez o Jethro Tull e olhe lá. As lindas baladas More Fool Me e I Know What I Like também são um grande reforço para marcar o disco como uma das grandes obras progressivas e mantendo-o com o toque pop que caracterizaria o fim do Genesis. Selling England By The Pound não é o auge de Peter Gabriel, mas mostra como seria. Não é o começo da participação mais efetiva de Phil Collins, mas é onde ele mostra que pode ser mais efetivo. Não é o principal disco do Genesis, mas mostra todas as direções que eles poderiam aportar. É, sem dúvida, disco importantíssimo para o cenário musical da época e, por isso, essencial.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

1 de outubro de 2009

Lou Reed - Berlin


Lou Reed - Berlin(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bob Ezrin
Formação Principal no Disco: Lou Reed – Bob Ezrin – Michael Brecker – Randy Brecker – Jack Bruce – Aynsley Dunbar - Steve Hunter - Tony Levin - Allan Macmillan – Gene Martynec – Jon Pierson – Dick Wagner – Blue Weaver – B.J. Wilson – Steve Winwood
Estilo: Art Rock
Relacionados: Velvet Underground/David Bowie/Nico/Iggy Pop
Destaque: The Bed
Melhor Posição na Billboard: 98o

Opinião do leitor:
Lou Reed parecia ter descoberto a fórmula do sucesso no auge do movimento glam com o disco Transformer. No entanto, quando a quase totalidade de seus fãs acreditava que o compositor nova-iorquino, como reza o ideário da música comercialóide, fosse lançar uma continuação do seu trabalho do ano anterior, ele apareceu com algo totalmente diferente. Berlin, seu terceiro álbum, é um romance noir fragmentário e patético sobre a tragica relação entre um casal — ele um drogado crônico e esquizofrênico, ela uma prostituta e mãe 'involuntária' — que vai desde a caracterização precisa dos seus personagens, a descrição de sua malfadada vida a dois, onde as canções se encadeiam como visões cuja poética é quase cinematogáfica em sua contrição e sutileza. Mestre em descrever e ambientar personagens de vida perdida que vivem no rés-do-chão da vida, Reed, na contramão de lograr êxito na esteira do sucesso do udigrudi, compôs um poema eterno, onde a aura de tragédia, de depressão, violência, uso e abuso de drogas é de uma insuportável desolação. É impossível descrever o vazio das três últimas canções (é melhor não contar para não estragar o final): as crianças chorando em The kids é de partir o coração; The Bed, a parte fala pelo todo. A narrativa é irretocável. Reed fala mais pelo que omite em seu discurso. Sad song, ao contrário do seu título, é um poema breve, com um contrastante arranjo pastoral. Transformer é uma obra-prima,mas a compaixão que Berlin desperta é simplesmente sublime e perturbador. O disco é tão tenso que Bob Ezrin teve que recorrer a ansiolíticos para suportar o peso das sessões de gravação. Embora tenha se saído bem nas paradas britânicas, Berlin por pouco não charteou nos Estados Unidos. A reação adversa do público e as fracas vendas do álbum fizeram com que Reed renegasse o disco por muito tempo — mais ou menos como aconteceu com Frank Sinatra com o seu conceitual, incompreendido e subestimado Watertown, de 1969.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

30 de setembro de 2009

Can - Future Days


Can - Future Days(1973)

Origem: Alemanha
Produtor: Can
Formação Principal no Disco: Holger Czukay – Michael Karoli – Jaki Liebezeit – Irmin Schmidt - Damo Suzuki
Estilo: Kautrock
Relacionados: Soft Machine/Frank Zappa/Tangerine Dream
Destaque: Moonshake
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Além de difícil de ser rotulado, o Can é uma banda tão experiemtalesca e eclética que divide opiniões: ou você fica biruta e vai procurar um psicoterapeuta ou ama incondicionalmente. Biruta ficou o primeiro lead singer do conjunto de Kautrock, nasido em Colonia, cidade do extremo oeste da Alemanha. O artista plástico ianque Malcolm Mooney, depois de ensaios intermináveis, pegou o boné e foi dar tratos à bola. sorte de Holger Czukay & companhia que achou outro biruta, esse porém de carteirinha e com mensalidade em dia, para o lugar de Mooney. enxadrista maníaco, testemunha de Jeová e músico mambembe foi de uma calçada de Munique para os estúdios de gravação. De quebre, foi o vocalista da fase mais genial do Can, que engloba os álbuns Tago Mago, Ege Bamyasi e Future Days. Com seu amálgama radical de concretismo, música de vanguarda e rock experimental, eles poderiam ser apenas mais um quinteto de músicos pregando no deserto, fabricando acordes e sons para iniciados. Mas Spoon (ou "variações caóticas em Fá Maior") fez sucesso (virou mainstream na terra de Goethe e Schiller) suficiente para que eles conseguissem um contrato com a United Artists para lançar Future Day que, com Tago Mago, é certamente um dos melhores discos do Can. A diferença fundamental seria que, neste álbum, eles aplicariam menos rigor com relação à demanda de uma forma cícica de encontrar uma estrutura rígida sonora em favor de um formato mais livre e a utilização de aranjos mais próximos da música ambiente em detrimento de experimentos eletrônicos. E os mesmos arranjos sublimados do Can servam de perfeita emolduração para a voz sussurada de Suzuki, em faixas como Moonshake, a mais conhecida e mais cool de Future Days. Mas o mote do Can são, com efeito, as trips sonoras de vinte minutos, como Bel Air, a melhor rapsódia moderna que Stockhausen esqueceu de compor.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

29 de setembro de 2009

John Cale - Paris 1919


John Cale - Paris 1919(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Chris Thomas
Formação Principal no Disco: John Cale - Wilton Felder - Lowell George - Richard Hayward - Bill Payn - Chris Thomas
Estilo: Folk Pop - Rock
Relacionados: Velvet Underground/Terry Riley/Nick Drake/Nico
Destaque: Andalucia
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Multi-istrumentista e músico experimentalista, John Cale é sempre relacionado à sua efêmera porém marcante passagem pelo Velvet Underground, e lembrado por ser uma espécie de expedicionário sonoro em estúdio e um intérprete genial e criativo, dado a sua sólida formação clássica. No entanto, após um interessante interlúdio em sua carreira musical, ao atuar como produtor (trabalhou com Jon Boyd no Bryter Layter, de Nick Drake, produziu os Stooges e alguns trabalhos de Nico, como o Chelsea Girl), Cale decidiu seguir como músico solo. Porém, ao contrário de seus primeiros arroubos pré Velvet (incluídos no disco Stainless Gamelan), ao invés de minimalismo, rock experimental e de vanguarda, ele optou — com exceção do jazzístico e instrumental Church of Anthrax, feito em duo com Terry Riley, por algo menos radical e mais acessível, sem deixar no entanto a sofisticação de lado. O mais interessante e memorável álbum que John Cale gravou nessa fase é Paris 1919. Feito em parceria com membros do Little Feat — na sua fase áurea, ainda com Lowell George e Bill Payne, Cale fez um disco sui generis, até mesmo dentro do seu próprio estro musical — indo do bucolismo de Andalucia e do smooth acústico de Antarctica Starts Here, pérolas de música ligeira, como Macbeth, ou o quase-calipso Graham Greene, singela homenagem ao 'maior escritor britânico católico do seu tempo', uma das canções mais legais de Cale com seus quatro acordes e sua letra impressionista.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

28 de setembro de 2009

Hawkwind - Space Ritual


Hawkwind - Space Ritual(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Hawkwind
Formação Principal no Disco: Robert Calvert – Dave Brock – Nik Turner – Lemmy (Ian Kilmister) – Dik Mik (Michael Davies) – Del Dettmar – Simon King



Estilo: Space Rock
Relacionados: Pink Floyd/Frank Zappa/UFO
Destaque: Orgone Accumulator
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Space Rock é um barato que nasceu da mistura de psicodelia e novas técnicas de estúdio. A temática, como o próprio nome sugere, é discursar de ficção cientítfica ou de paraísos artificiais em canções com sintetizadores e muita música concreta, mimetizando ruídos microfonia e sinais de rádio e sonares, etc. O conceito de rock espacial nasceu de trabalhos esparsos, como o The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd ou coisas como a lisergia stoniana de 2000 Light Years from Home, do Their Satanic Majesties Request. Contudo, a idéia só seria empregada em larga escala anos depois, nos primeiros discos do UFO, entre eles o genial UFO 2: Flying , que é um clássico no gênero, e o Space Ritual, do Hawkwind. Quarto trabalho da banda inglesa, o disco, que foi gravado ao vivo, é uma inefável experiência dentro do estilo, e tão difícil de assimilar quanto de cansar de ouvir.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

25 de setembro de 2009

Bob Marley & The Wailers - Catch A Fire


Bob Marley & The Wailers - Catch A Fire (1973)

Origem: Jamaica
Produtor: Chris Blackwell
Formação Principal no Disco: Bob Marley - Peter Tosh - Bunny Wailer - Aston Barrett - John Bundrick - Wayne Perkins
Estilo: Reggae
Relacionados: Peter Tosh; The Pioneers; Gilberto Gil
Destaque: Kinky Reggae
Melhor Posição na Billboard: 171º

Opinião do leitor: Imagine um isqueiro Zippo gigante, feito à mão, contendo em si uma chama que iluminaria por gerações as mentes da juventude nascida nas "selvas de pedras". Basicamente esse é o impacto de Catch A Fire para as gerações posteriores e, claro, para sua própria. O álbum que catapultou Bob Marley e sua eterna banda para o estrelato internacional é uma caixa de hits absolutos entre o público do reggae e mesmo entre o público pop. Não é necessário comentar muito sobre Stir It Up ou Concrete Jungle, duas conhecidíssimas canções daquelas reconhecidas ao primeiro toque. Também não precisa se falar muito da qualidade dos músicos, todos eles grandes lendas do hoje já consolidado ritmo jamaicano, consolidado graças a discos como Catch A Fire, que mostram, para além de uma qualidade técnica incrível em sua simplicidade e efetividade, a voz de um povo que tem na música sua forma de expressão frente às mazelas que sofre. Algumas das músicas de Catch A Fire são versões aprimoradas de registros antigos dos Wailers, como 400 Years e Stop The Rain, mas que mesmo assim apresentam um incrível frescor a cada toque. Kinky Reggae, o 'reggae pixaim', é ousado, quase pervertido, como o nome sugere. Como quase tudo sugere no disco, meticulosamente. É um álbum absolutamente essencial em qualquer coleção que se preze, mesmo que infelizmente não se possa ter a raríssima capa-Zippo, feita à mão em apenas 20 mil unidades. Tudo bem, a capa que veio a ser a oficial posteriormente é ainda mais emblemática: Bob Marley, no alto de sua sapiência, se alimentando espiritualmente com sua erva. Stir It Up!

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

24 de setembro de 2009

King Crimson - Larks' Tongues in Aspic


King Crimson - Larks' Tongues in Aspic(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: King Crimson
Formação Principal no Disco: Robert Fripp - John Wetton - Bill Bruford - David Cross - Jamie Muir
Estilo: Progressive - Jazz-Rock
Relacionados: Soft Machine/The Mahavishnu Orchestra/Miles Davis
Destaque: Book of Saturday
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Na sua terceira dentição, o King Crimson paradoxalmente era a banda de um músico só e, ao mesmo tempo, não era. Primeiro porque seu líder não admitia para si o posto ou qualquer primazia sobre tal; segundo, porque Robert Fripp tinha uma tendência inata a trabalhar em grupo. Quase um projeto conceitual de Fripp — agora que seus principais colcboradores de outrora, a saber, Ian McDonald e Peter Sinfield, a despeito de realizar o próximo álbum a partir de sua própria inspiração, ele decidiu agregar elementos que pudessem se integrar ao seu novo paradigma sonoro. Nessa fase, Fripp iria acrescentar desde o jazz fusion do The Mahavishnu Orchestra, pois ele era um fã incondicional de John McLaughlin, até o hard rock. McLaughlin também seria a ponte entre Robert e a produção atual ddo cada vez mais polêmico Miles Davis (segundo ele, porém, apenas para quem não o entendia), especialmente o disco On the Corner, que também flertava com música concreta. Outra idéia que ele ia decalcar da Mahavishnu era o violino solo, a cargo de Jerry Goodman. Faltava, porém, "refundar" o King Crimson. Como a banda agora partia do conceito estabelecido por ela, bastava que a linha de apoio da banda funcionase como um complemento às suas idéias. Além dos teclados, Fripp assumia a guitarra; na percussão, dois músicos: Jamie Muir e o recém demissionário do Yes, Bill Bruford; Do Family, John Wetton iria para o baixo e os vocais. Por fim, um violinista — que seria peça fundamental em Larks' Tongues in Aspic: David Cross. Numa progressão fulminante — cerca de oito meses e uma turnê, em 72, as engrenagens do novo Crimson estavam perfeitamente azeitadas, a ponto de a banda entrear em estúdio para gravar. Misturando Miles com compositores eruditos de vanguarda, Gustav Holst (que é recorrente em trabalhos anteriores, como In the Wake of Poseidon), Ralph Vaughan Williams e Karlheinz Stockhausen, Larks' Tongues in Aspic representou, para o King Crimson, a um só tempo, a transformação de um conjunto de rock progressivo em suas mudanças constantes, numa banda que é quase um gênero musical em particular, indo além do modelo do progressivo quando este estava se tornando um estereótipo de si mesmo ou se tornando, imerso em sua estética circulatória da comunicação, uma redundância de si mesmo. Porém, dentro de sua cusiosidade em palmilhar novas praias musicais e sua sensibilidade intelectual, Robert Fripp soube medir a sua arte dentro dos próprios parâmetros do circular, para naturalmente não chegar às raias do hermetismo. E, a despeito de emoldurar sua música nos moldes do clássico, ele revestiu os seus timbres com as cores do "previsível" e da música ligeira, do rock e do jazz. Esse fator elementar é que permite que Larks' Tongues in Aspic seja original e surpreendente sem ser difícil — muito embora esteja milhas adiante do pós-psicodelismo dos arroubos sesentistas do In the Court of the Crimson King. A mais bela, talvez, e a que melhor sintetiza o álbum é exiles, umaverdadeira obra-prima. Pelo menos uma faixa ainda soe como um intermezzo no fulcro da inextrincável massa sonora do disco, Book On Saturday, inspiradíssima parceria de Robert com o letrista Richard Jeffrey Charles Palmer-James, que acompanharia Fripp nos álbuns seguntes, até que fosse a vez do próprio guitarrista pegar o boné e desembarcar do Crimson, em 1975.
Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

23 de setembro de 2009

David Bowie - Alladin Sane


David Bowie - Alladin Sane(1973)

Origem: Inglaterra
Produtor: Ken Scott
Formação Principal no Disco: David Bowie - Mick Ronson - Trevor Bolder - Mick "Woody" Woodmansey - Mike Garson
Estilo: Glam Rock
Relacionados: Slade/Roxy Music/T.Rex
Destaque: Aladdin Sane (1913-1938-197?)
Melhor Posição na Billboard: 17o

Opinião do leitor:
Depois de invadir o planeta Terra e salvar a humanidade, Ziggy Stardust, antes de rasgar a sua fantasia de folião glitter, resolveu conhecer a América. E Alladin Sane, seu sexto álbum, é uma vigileatura que se transformou num musical. Contudo, a despeito da ligação com o seu célebre personagem, o disco pretende contar uma história diversa do épico-soap opera, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, ele prefere destilar o seu olhar de flanêur extraterreno, à medida em que passar por cada cidade (simbólica e respectivamente relacionadas a cada música, para extravasar visões sobre hedonismo decadente da moderna sociedade de massa (Alladin Sane), desaguando numa nostalgia futurista que mistura um discurso musical vanguardista e retrô (Drive-In Saturday), colagens de easy listening e erudito num formato pop (Lady Grinning Soul) ou, como num retorno à idéias do álbum anterior, ecos de cançonetas francesas a la Jaques Brel (Time). Mas o fator marcante em Alladin Sane é que ele imprime um lado muito mais roqueiro que os discos anteriores. Isso também se deve ao conúbio musical com Mick Jagger (há quem diga que foi algo além de um rendez-vous intelectual) e os Rolling Stones. Sintomático ainda é perceber que, enquanto Bowie flanava em direção ao rock, Jagger levava seu quinteto a palmilhar a estética glam, o que seria notável nos seus próximos trabalhos, Goat Head Soup e It's Only Rock'n Roll. Dolado "roqueiro" de Alladin, pode-se destacar a bodidlleyana Panic In Detroit, he Jean Gene (um blues) e um ótimo cover dos supracitados Stones, Let's Spend The Night Togheter, que seria um pièce de resistance no palco.


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

22 de setembro de 2009

Incredible Bongo Band - Bongo Rock


Incredible Bongo Band - Bongo Rock(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Michael Viner
Formação Principal no Disco: Michael Viner
Estilo: Funk/jazz
Relacionados: Fela Kuti/Ananda Shankar/Jim Gordon
Destaque: Pipeline
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Discos de música instrumental são, quase sempre, subestimados e sempre passam longe da lista dos mais vendidos. Essas vicissitudes não são alheias ao cult Incredible Bongo Band. Sua história, no entanto, é bem peculiar. O idealizador do projeto, Michael Viner, era apenas e tão somente o diretor da divisão de trilhas sonoras da Metro. Além disso, sua especialidade era produzir discos e cassetes de áudio, como os de fascículos. Em 1972, ele teve a chance de gravar algumas faixas para a trilha do medíocre filme B The Thing with Two Heads. Encorajado pela experiência inusitada e diversa do seu trabalho comum, Viener resolveu juntar músicos anônimos de estúdio e montar um disco. A idéia era basicamente pegar canções antigas e trilhas de películas dos anos 50 com arranjos funk, contrabaixo, bateria, um naipe de metais, sintetizadores e, é claro, um par de bongôs infernais. Para contrabalançar, Michael fez covers de canções de rock, como In-A-Gadda-Da-Vida, do Iron Butterfly, e Apache, sucesso do The Shadows, do começo dos anos 60. O disco não fez sucesso nos Estados Unidos mas, em outros países, como o Canadá, acabou virando hit. O êxito inesperado faez com que Viner providenciasse uma sequência, o Return Of The Bongo Band. Porém, o disco seria entronizado principalmente pelas gerações seguintes, que iriam utilizar faixas do Incredble em versões sampleadas, transformando Viner numa espécie de precursor do drum'n bass. Mas o incrível mesmo focaria por conta de uma lenda urbana que corre a respeito das sessões de gravação: há quem diga que, dentre os colaboradores apócrifos do Incredible Bongo Band, se encontre um obscuro cavaleiro da Ordem Britânica, chamado Ringo Starr.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

21 de setembro de 2009

Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-nerd Skin-nerd


Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-nerd Skin-nerd(1973)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Al Kooper
Formação Principal no Disco: Leon Wilkeson - Billy Powell - Ronnie Van Zant - Gary Rossington - Bob Burns - Allen Collins - Ed King
Estilo: Rock
Relacionados: Allman Brothers/The Band/Neil Young/Strawberry Alarm Clock
Destaque: Freebird
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
O Lynyrd Skynyrd pode não ser considerada a melhor banda do Southern Rock — afinal, eles rivalizavam com os Allman Brothers. Mas certamente foi, e é a maior do gênero. Com seu estilo despojado de foras da lei e de banda pé na estrada, misturando estilos diversos como o pop, o country and western e o blues rock e consolidando uma enorme legião de fãs que lotavam os seus concertos, se transformando quase nummovimento, que varreu a primeira metade dos anos 70. Descobertos por Al Kooper, o guitarrista que inventou o órgão de Like a Rolling Stone, "lançou" os subestimados Zombies de Odessey And Oracle nos Estados Unidos e fundou o Blood, Sweat & Tears, a banda, começou como um quinteto inspirado no som dos Beatles e que, à medida em que foi evoluindo, passou a criar um som próprio, calcado no nascente country rock. Em 72, Koopper assistiu a um show do Lynyrd Skynyrd e resolveu investir no conjunto de Ronnie Van Zant e se tornaria o produtor de seus álbuns. O primeiro, Pronounced Leh-nerd Skin-nerd, saiu em agosto do ano seguinte, não apenas nasceu clássico como pode ser considerado um dos melhores discos de estréia da história do rock. De largada, eles lançam petardos como I Ain't the One, Simple Man, Tuesday's Gone e a maior de todas, Free Bird que, desde então, era sempre a música que encerrava os seus concertos. Pronounced Leh-nerd Skin-nerd também tem momentos singulares, como Gimme Three Steps, que conta a história de um sujeito acossado por um marido ciumento e Missisipi Kid, que é uma divertida incursão pelo bluegrass.


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

18 de setembro de 2009

The Rolling Stones - Exile On Main Street


The Rolling Stones - Exile On Main Street(1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Jimmy Miller
Formação Principal no Disco: Mick Jagger – Bill Wyman – Charlie Watts – Keith Richards Mick Taylor - Bobby Keys - Nicky Hopkins - Ian Stewart - Gram Parsons - Bill Plummer - Ted Newman Jones III - Al Perkins - Jimmy Miller - Tami Lynn - Vanetta Lee - Clydie King - Shirley Goodman – Dr. John – Billy Preston - Clydie King - Vanetta Fields - Jerry Kirkland – Kathi Jones – Jim Price Richard Washington - Joe Green
Estilo: Rock - Country - Blues - Bluegrass - Soul
Relacionados: Flying Burrito Brothers/Billy Preston/The Band
Destaque: Tumbling Dice
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
No começo de 1970, o consultor financeiro dos Rolling Stones, Rupert Lowenstein, se reuniu com a banda, e anunciou: “acabou o dinheiro, não tem mais dinheiro”. Perplexos, os cinco descobriram que, mesmo faturando alto em concertos e vendas de discos, em seis anos, eles perderam muito mais do que ganharam. Pior: se somado o montante de despesas, os impostos atrasados e o que lhes esperava no ano fiscal de 1971 (o então primeiro-ministro da Inglaterra, Dennis Healey, preconizava um aumento de taxas para os ricos em cerca de absurdos 90%, o que gerou uma debandada geral), a sua situação com a Coroa Britânica e as contas a pagar iam leva-los à falência em menos de seis meses. A saída, para Lownenstein, era continuar produzindo discos em escala fordista, sair da Inglaterra e exilar-se em algum paraíso fiscal, e montar uma mega-turnê, onde eles deveriam se apresentar em mega-estádios, de maneira a estancar aquela sangria. O melhor lugar para se realizar uma série de shows daquela envergadura eram os Estados Unidos. O exílio? Mick Jagger sugeriu Vilefranche-sur-Mer, em Saint-Tropez, na Riviera Francesa.Após o lançamento do álbum Sticky Fingers e de uma turnê britânica “de despedida”, em pouco mais de um ano depois, em abril de 1971, os Stones finalmente embarcaram para o sul da França. Além da bagagem usual, a consorte de Keith Richards, Anita Pallemberg e a futura esposa de Jagger, Bianca, levavam na barriga respectivamente seus herdeiros, Dandelion e Jade. Mas quem estava de fato prenhe — porém de idéias — era Richards. Há pelo menos dois anos, ele vinha produzindo música à mão cheia — em parte, sobras de discos anteriores, gravados no Olympic Studios, além do material recente, gravado com o auxílio da sua intrépida Rolling Stones Mobile Studio, tendo no volante o não menos intrépido Ian Stewart. O QG musical seria Nelicôte, uma mansão (aliás, durante a segunda Guerra Mundial, Nelicôte se tornou um “headquarters” dos nazistas, durante o governo de Vichy) com ar de vivenda campestre e com vista para o Mediterrâneo. Com uma vista paradisíaca, um staff de filme de Cecil B de Mille, um invejável recanto para o Verão, além, é claro de heroína e ópio de excelente qualidade, vindo da África, e montantes de cocaína, direto de Estocolmo, e uma adega gigantesca no porão, não havia lugar melhor para os Rolling Stones produzirem a sua obra-prima, o exuberante Exile On Main Street. Lançado em maio de 1972, o disco não foi muito bem recebido, por parecer cru demais, quase uma pré-produção muito mal mixada (Mick Jagger sempre se ressentiu do trabalho de finalização dos tapes, em Los Angeles), como tempo, iria se render ao álbum mais experimental e criativo do quinteto britânico. Exemplo tópico de um trabalho onde se misturam contexto e ambiente propícios, o Exile nasceu para ser eclético, coletivo e épico. Para começar, se o álbum tinha um mecenas, ele era Keith Richards. Como ele era o anfitrião, todos acabaram tendo que se render ao seu ritmo de vida, aos seus hábitos exóticos e ao seu processo de composição. Claro que isso gerou uma série de problemas que, no entanto, deram o charme fundamental ao Exile. Sem contar com outro detalhe: em pouco tempo, Nelicôte se transformaria num ponto de encontro de amigos e desgarrados que apostavam em Saint Tropez para uma visita. Na maior parte das vezes, a maioria acabava entrando no espírito da coisa, e até participando das improvisadas sessões de gravação. Em junho, a unidade móvel chegava, enquanto Richards e técnicos de som montavam um estúdio no porão. Como todo começo, iniciar as sessões foi um parto á fórceps. Tudo o que fora outrora planejado foi jogado para o alto. Wyman e Watts apareciam com sua pontualidade britânica, mas tinham que se acostumar com os sumiços repentinos e demorados de Keith. Jagger não conseguia se ficar em Saint Tropez, porque Bianca detestava Anita. E nem mesmo a natural afinidade entre eles serviu para que as músicas aparecessem. A coisa começou a mudar quando Glyn Johns (produtor e um dos idealizadores do projeto da Rolling Stones Mobile Studio) apareceu para tomar o lugar de Jimmy Miller e, á convite de Richards, Gram Parsons aportou na cálida eensolarada Vilefranche-Sur-Mer. De forma substancial, eles iriam influenciar bastante na sonoridade de boa parte do som do álbum. Parsons, então, que era um dos expoentes do que viria a ser chamado de country-rock, devido ao seu conúbio musical com Keith, naquele momento histórico, depois dos Byrds e dos Flying Burrito Brothers, iria imprimir a sua indelével marca no Exile On Main Street. Um dos fatores primordiais era o espírito informal das sessões: feito um mecenas, Keith pôde suprir-se de excelentes músicos que lá apareciam. Dessa forma, Nelicôte catalisou musicalmente a música que foi provocado por aquele êxodo involuntário. Outro notório junkie e seu parceiro de copo e de colher, Parsons virou um meio irmão par Richards (Keith havia dedicado Wild Horses a Gram, que a gravou antes dos Stones, no Burrito Deluxe). Da inspiração de ambos, nasceram alguns dos melhores momentos do disco: entre eles, Sweet Virginia e Torn And Frayed. Tudo, porém, Keef way of life, ou seja, em ritmo de férias. Isso sem contar os constantes problemas com a fiação, que os obrigaram a puxar um gato de energia elétrica da companhia de viação férrea e o calor insuportável do estio francês. Até a alta temperatura iria influir (DIZEM) na sonoridade do álbum: como não havia ar condicionado no estúdio do porão, era mais do que comum que os instrumentos desafinassem sensivelmente, a todo o momento. Isso fez com que muitas das bases gravadas na França soassem fora do tom, e isso pode ser percebido em Casino Boogie e Turd On The Run, por exemplo. No ápice das gravações, Bill e Charlie desertaram em vários momentos e muita gente, para economizar tempo e dinheiro, acabava passando o veraneio em algum aposento de Nelicôte. E Mick? Radicado agora em Paris, ele aparecia às vezes, quando conseguia uma folga de Bianca, para tratar de negócios e de participar das sessões (embora a maior parte dos vocais fosse gravado apenas nas mixagens finais, nos Estados Unidos) Como até Glyn sucumbiu ao estilo de Keith Richards. Músicas brotavam com o suor daquelas tórridas tardes de estio; muita coisa nascia do acaso, como Ventilator Blues (parceria com Mick Taylor e cujo nome se explica, em parte) e Happy, um dos mais simples e geniais números de Keith, e que o acompanharia sempre no palco por anos afora. Com a quase deserção de Watts e Bill, quem estivesse à mão acabava ocupando a vaga deles (Richards, fulo da vida pelo fato de seu baixista fazer corpo mole e ir tocar com o Manassas de Stephen Stills (onde chegou a compor alguma coisa), resolveu apagar quase tudo o que ele havia produzido em Saint-Tropez). Jagger, porém, vendo que, em pouco tempo, todo mundo em Nelicôte estava ao ritmo de seu irmão Glimmer, resolveu dar um jeito na bazófia. Mandou Parsons embora. Contudo, as coisas mudaram com o novo contexto: o outono chegou, a mansão havia se tornado num conjunto habitacional, as doideiras de Richards e Anita começavam a chamar a atenção, a polícia e a vizinhança estavam começando a desconfiar daquela trupe de mambembes, os dias passavam mais rápido e o prazo de entrega do futuro álbum parecia estar adiado para o Dia de São Nunca. O estopim da crise foram escutas que o guitarrista descobriu, em seu telefone, em Nelicôte. Com o ambiente ficando cada vez mais pesado, Keef, que já estava cobrando aluguel de seus hóspedes, dado o tamanho da conta que era sustentar aquela brincadeira, resolve embarcar com os Stones para Los Angeles. O objetivo era terminar o Exile antes que o contrário acontecesse. Na América, era a vez de Jagger tomar as rédeas do projeto, já que, depois de meses de tanta boleta, Richards não conseguia se concentrar sequer para fazer a slide em Torn And Frayed. Ao mesmo tempo, o contato com o soul norte-americano (e, sem dúvida, a influência seminal de Billy Preston, nessa fase da produção) fez com que o lado de Mick nas gravações se imbuísse dessa virtude. Muito disso pode ser ouvido em momentos como Let It Loose, Lovin Cup (que, como ocorrera com algumas bases, como All Down The Line, fora iniciada ainda em 1969, no Olympic Studios e, pelo fato de ter sido gravada em parte durante a vigência do contrato dos Stones com a Decca, acabou gerando um litígio interminável entre eles e o ex-empresário, Allen Klein) Stop Breaking Bown e, principalmente em Shine a Light. Nessa fase, aliás, Mick foi o diretor artístico incansável (em Los Angeles, ele também iria tratar da montagem da turnê americana de 1972, a segunda parte do projeto principal, e colocar todos os overdubs que faltavam nas bases gravadas em Vilefranche-Sur-Mer, durante as alegres férias de Keef & sua turma), suprindo com maestria a carência de seus parceiros com músicos de estúdio. Bill Plummer, por exemplo, fez o baixo em temas como All Down The Line e Rocks Off que, embora tenha sido a primeira a vir á lume, ainda em Saint-Tropez, só foi finalizada em cima da hora. Outra típica do estilo político (polido) de Jagger é Sweet Black Angel, uma bela homenagem à Angela Davis, uma professora da Califórnia que, ao proteger três fugitivos da prisão de San Quentin, virou uma fora de lei. Símbolo de protesto pelos direitos civis na época do surgimento dos Panteras Negras, da escalada da violência nos protestos estudantis, perpretado pela repressão policial, somado ao fato de ser de esquerda e de cor, muitos seguiram sua causa, por a considerarem injustamente perseguida. Uma vez presa, ela se transformou numa espécie de, mal comparando, uma Rubin Carter de saias. Declarada inocente, em fevereiro de 72, Mick fez questão de colocar Sweet Black Angel no lado B do primeiro single do Exile, Rocks Off, num libelo que é um dos melhores momentos do disco. Tumbling Dice, o segundo compacto e um dos highlights do álbum (e a cara do Exile), foi concebida durante as gravações do Sticky Fingers, mas da base, montada no porão de Nelicôte, até a mixagem final, é um mash-up: o riff é de Keith, Jimmy Miller toca bateria por cima da de Watts, Jagger faz a guitarra-base, Taylor o baixo (Wyman tinha ido embora) e os backing são de Clydie King e Vanetta Fields que, com Shirley Goodman (da esquecida dupla Shirley And Lee,lembram?), deram o ar bluesy a várias das canções do disco. Com Tumbling Dice, agora os Stones tinham o sonhado número 1 nas paradas e o ambiente propício para o próximo passo: invadir a América, vender discos, lotar estádios e salvar o leite das crianças.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

17 de setembro de 2009

Al Green - Let's Stay Togheter


Al Green - Let's Stay Togheter(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Willie Mitchell
Formação Principal no Disco: Howard Grimes - Al Jackson, Jr - Leroy Hodges - Charles Hodges - Teenie Hodges - Al Green
Estilo: Soul
Relacionados: Donny Hathaway/Otis Clay/Ann Peebles
Destaque: I've Never Found A Girl (Who Loves Me Like You Do)
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Nos anos 70, enquanto o soul mudava radicamente de cara, desde as excêntricas experimentações sonoras de Norman Whitfield e Sly Stone, inspiradas na psicodelia e congêneres, na música de protesto, como nos clássicos What's Going On, de Marvin Gaye, fusão de diversos estilos diametralmente diversos — como no caso do Earth, Wind And Fire, a total rendição ao contagiante groove do funk, com o fenômeno Parliament-Funkadelic-The Meters até o proto-disco-music do The Detroit Emeralds, no rumo contrário, um cara surgiu para seguir a tradição dos clássicos soul singers: Al Green. Músico precoce, Green sempre quis internalizar a virtu de cantores da estirpe de Jackie Wilson, Bobby Womack, Sam Cooke, Don Covay, Otis Redding e Wilson Pickett. De Jackie, o pai de todos, ele herdou o estilo de entretainer; de Redding, bem, ninguém semelhante havia surgido no cenário musical, até o produtor da Hi Records, Willie Mitchell, o pôs diante de um microfone. Em apenas três discos, Al Green era o que de melhor havia surgido desde o desaparecimento do autor de Respect e Pain In My Heart, em 1967. Let's Stay Togheter, o terceiro lançamento do cantor pela Hi, além de um verdadeiro hit singles pack (What Is This Feeling, Old Time Lovin'), é surpreendente, genial, fascinante e eterno. Eterno porque, perfazendo o caminho de seus predecessores, ele não quis ser revolucionário, como rezava o bom-tom da época; em apenas nove músicas, ele respeitou o cânone diacrônico do soul passou a música dos seus mestres a limpo e trouxe tudo de volta para casa. E, de quebra, compôs com Willie a antológica canção que dá título ao álbum e fez uma versão mais do que definitiva de How Can You Mend a Broken Heart?, dos Bee Gees, para chorar de cantinho e "machucar os coraçõezinhos", como diria Simonal. quer mais? Ouça o I'm Still in Love With You, lançado no mesmo ano,na esteira do sucesso (mega) de Let's stay Togheter.


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

16 de setembro de 2009

War - The World Is a Ghetto


War - The World Is a Ghetto(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: War
Formação Principal no Disco: Howard E. Scott - Harold Brown - Charles Miller - B.B. Dickerson - Lonnie Jordan - Lee Oskar - Papa Dee Allen
Estilo: Funk
Relacionados: Eric Burdon/Lowrider Band/Love
Destaque: The Cisco Kid
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Filho nobre do funk rock californiano, o War nasceu de uma fusão de várias tendências musicais que desaguavam na Costa Oeste norte-americana, desde o começo dos anos 60, palco de onde viria a terceira onda do rock. Ali, havia espaço para tudo, ou quase: música latina, funk, country, jazz, swamp rock. A formação original na tocava desde 1962, com o nome de Creators, num gueto de Long Beach, na Califórnia. quando eles mudaram o nome para Nightshift, especialmente para ser a banda de apoio de Deacon Jones, cantor de R&B — então mais conhecido como jogador de rugby, eles chamaram a atenção do produtor musical Jerry Goldstein quando eles decidiram mudar finalmente o nome para War numa época em que boa parte da opinião pública defendia o cessar-fogo no Vietnã. Mais do que isso, ele percebeu que o conjunto era extremamente original, tanto no estilo musical eclético quanto na sua formação, eminentemente muiti-racial (embora não tivessem a primazia, já que, antes deles, já existiam o Del-Vikings, idealizado pelo DJ Allan Freed, nos anos 50 e, é claro, os seus co-irmãos do Love, de Arthur Lee). Em 1970, o cantor inglês Eric Burdon (radicado em San Francisco desde o fim dos Animals, em 1966) resolveu juntar forças com o War. O resultado foi o disco Eric Burdon Declares "War", cujo single principal, Spell The Wine. chegou ao terceiro lugar nas paradas e consolidou a banda como um dos grandes talentos promissores daquele ano. A parceria, no entanto, durou pouco mais de um ano. Burdon saiu por problemas de saúde, e o War seguiu sem ele. Em sequência, viriam três álbuns, War, All Day Music e o incensado The World Is a Ghetto. Dos três, ele é o álbum que melhor sintetiza o mot de spirit do conjunto californiano: em vez de guerra, uma espécie de celebração de liberdade crítica-criativa, em mensagens de liberdade, numa forma menos sombria (que a maioria dos artistas de então)de protestar contra a desigualdade social na América do começo dos anos 70. Ou seja, a despeito do nome, o War asseverava o contrário — e numa linguagem musical contagiante, que ia do latin rock ao funk, como The Cisco Kid, o soul, na faixa que dá nome ao disco, e certamente a mais fantástica canção do war de todos os tempos. A letra, aliás, saiu de moda; afinal, mensagens de paz e amor não dizem mais nada a ninguém. Mas o fusion blended soul do War, esse sim, é deliciosamente atemporal.
Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

15 de setembro de 2009

David Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars


David Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars(1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Ken Scott
Formação Principal no Disco: David Bowie - Mick Ronson - Mick Woodmansey - Trevor Bolder

Estilo: Glam Rock
Relacionados: T. Rex/Slade/Gary Glitter
Destaque: Starman
Melhor Posição na Billboard: 65o

Opinião do leitor:

Ziggy era um guitarista canhoto que improvisava solos com as aranhas de Marte e se tornou um homem especial e se transformou num indeciso messias que tinha a missão de salvar a Terra da destruição total, em cinco anos. As armas que ele possúía era uma banda de rock. David Bowie criou Stardust inspirado no ex-líder dos Playboys, Vince Taylor, mas deu à ele e à história um toque particular, que misturava misticismo, religião, romance, liberdade sexual, paixão, rebelião e morte. Assim, Bowie o caracterizou e criou a tocante história do Salvador das Galáxias que queria salvar a humanidade mas se perdeu em seu ego humano, demasiado humano. Aliás, o próprio compositor mais tarde confessou que o que ele imbuiu Ziggy de um pastiche macarrônico da Nitzsche num personagem que era, em última análise, uma mímese dele próprio, ou melhor, um arquétipo de uma estrela do rock: um deus caído, um santarrão no mundo frívolo do jet-set. Não foi à toa que ele acabou assumindo Stardust, cuja história é contada nas letras de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Poderia ser apenas mais um disco conceitual, mas a originalidade em contar a história em canções marcantes como Moonage Daydream, Five Years, Rock'n Roll Star (que parece uma versão avant-garde de Jaques Brel), Starman e Lady Stardust e em resolver transformar a ficção em realidade — D.A Pennbaker realizaria um documentário inspirado na turnê de Ziggy (a filmagem foi feita no Hammersmith Apollo, de Londres). O show (3 de julho de 73) foi, também, o fim do herói marciano. Antes de encerrar a apresentação, com Rock'n Roll suicide, ele "matou" ali seu insígne personagem, que definhou ao som de Pompa e Ciscunstância, de Elgar...

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

14 de setembro de 2009

Temptations - All Directions


Temptations - All Directions(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Norman Whitfield
Formação Principal no Disco: Dennis Edwards - Damon Harris - Richard Street - Melvin Franklin - Otis Williams - The Funk Brothers

Estilo: Funk/Soul
Relacionados: Sly Stone/Isaac Hayes/Parliament/Funkadelic/Chi-Lites
Destaque: Papa Was a Rollin' Stone
Melhor Posição na Billboard: 2o

Opinião do leitor:
Norman Whitfield foi o produtor da Motown que criou o chamado soul psicodélico, em idos de 1969, e mudou gradativamente o som característico do selo de Detroit, ao mesmo tempo em que deu novas direções ao som de vários de seus artistas, como Diana Ross, 5th Dimension, Marvin Gaye e, é claro, a menina dos olhos da Tamla, os Temptations. Em 1971, a formação do conjunto se resumia a Otis Williams, Dennis Edwards, Melvin Franklin, Richard Street e Damon Harris, já que David Ruffin e Eddie Kendricks haviam partido para a carreira-solo, sendo que o último fez bastante sucesso na era Disco. No começo de 72, Harris, que era grande fã do falseto de Eddie, passou no teste para entrar no lugar de Ricky Owens. Essa formação é a que entraria em estúdio para gravar um novo álbum, inspirado num projeto paralelo desenvolvido por Norman Whitfield, o The Undisputed Truth. Tal plano havia rendido alguns singles,mas nada que chamasse a atenção. Até que ele decidiu expetimentar o psicodelismo do Truth com os Temptations, e o corolário desse insight foi o disco All Directions. Tudo girava em torno de uma obscura canção que ele havia composto pelo Undisputed — Papa Was a Rollin' Stone. Enquanto a versão original passou batida, a gravação do grupo foi, provavelmente, um dos maiores momentos do conjunto em todos os tempos, principalmente pela produção de Whitfield, o meticuloso trabalho vocal dos Tempts, o arranjo que ele fez para os Funk Brothers, a banda de apoio em All Directions. Desde a complexa concepção estrutural até as vocalizações, passando pelos solos de wah-wah, baixo, metais e cordas, numa canção que é toda baseada em um único e escasso acorde — algo que, a posteriori, seria ligeiramente estandartizado no universo do funk. Barret Strong, colaborador de longo tempo na Motown (e notório autor de Money (That's what I Want), também trabalharia com eles pela última vez, tanto no cover de "Papa" quanto Funky Music Sho' Nuff Turns Me On. O curioso é que os Temptations, principalmente Otis williams, tenham certo receio em gravá-las, assim como Run Charlie Run, alegando que suas letras eram politizadas (algo que, com efeito, estava em bastante voga à época) demais para um grupo que se havia notabilizado por canções pop açucaradas, como My Girl. Desconfianças á parte, versão editada para compacto de Papa Was a Rollin' Stone chegaria ao primeiro lugar nas paradas e também seria o heróico e derradeiro número 1 de sua longa carreira.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

13 de setembro de 2009

Alice Cooper - School's Out


Alice Cooper - School's Out(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bob Ezrin
Formação Principal no Disco: Alice Cooper - Glen Buxton - Michael Bruce - Dennis Dunaway - Neal Smith - Dick Wagner
Estilo: Hard Rock
Relacionados: Frank Zappa/Stooges/Screamin' Jay Hawkins
Destaque: Luney Tune
Melhor Posição na Billboard: 2o

Opinião do leitor:
School's Out é um marco na careira do Alice Cooper e um dos momentos mais felizes da colaboração do produtor canadense, Bob Ezrin, quando a banda deixou o experimentalismo que fez com que Frank Zappa os contratasse para a sua Straight Records, no fim dos anos 60. Embora promissores, como aconteceria com boa parte do catálogo do selo do líder dos Mothers Of Invention, o material temático passava longe das paradas. sem contar que o diretor artístico da Straight, David Briggs, não escondia um total desprezo pelas idéias musicais deles — e, felizmente (ou não), a recíproca era rigorosamente verdadeira. Foi preciso que o Alice superasse aquela maré, voltasse para Detroit e, depois de conhecer os Stooges e o próprio Ezrin, para que a banda encontrasse o caminho do sucesso. Nem que, para isso, fosse preciso se transformar os shows ao vivo num verdadeiro palco do horror, com sangue de mentira e galinhas voadoras. Contudo, o paradoxo é que, embora Bob estimulasse que eles transformassem as apresentações ao vivo no melting pot do shock rock, dentro do estúdio, o produtor cuidou de limpar o som garageiro em algo fonograficamente "escutável" ou, pelo menos, acessível. A partir dali, viriam três excelentes discos, Love It to Death, Killer e School's Out , cuja inspiração foi a sugestão de uma frase que ele havia lido, sobre quais eram os melhores três minutos da vida. Um deles eram as manhãs de véspera da Natal; As outras eram aquelas que antecedem o último sinal do colégio. Daí nasceu o sardônico catecismo da desobediência civil ginasial: "não temos classe (duplo sentido, no original), não temos princípios, não temos inocência, não podemos nem pensar em rimas, chega de livros, chega de lápis, chega de escola!". School's Out faz um crossover interessante entre o hard rock e o blues rock, embora com direito à umas zappaneadas, como em Street Fight, mas passa até por improvisos jazzísticos, como a smoothy Blue Turk. O shock rock e as suas bizarrices saíram de moda, mas o Alice Cooper não.


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

9 de setembro de 2009

Roxy Music - Roxy Music


Roxy Music - Roxy Music(1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Peter Sinfield
Formação Principal no Disco: Bryan Ferry - Brian Eno - Andy Mackay - Phil Manzanera - Graham Simpson - Paul Thompson -Rik Kenton
Estilo: Rock
Relacionados: T. Rex/Soft Machine/King Crimson
Destaque: Virginia Plain
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Brian Ferry era um aluno de arte que queria transar música. Tentou ser vocalista do King Crimson: Robert Fripp e Pete Sinfield, por sua vez, acharam que a voz dele não tinha nada a ver com a sonoridade da banda, mas deu uma ajuda para que Ferry continuasse tentando. Ele pôs anúncio na Melody Maker pedindo um tecladista. Andy Mackay era tocador de sax e de oboé, mas queria entrar na banda. Além do mais, ele conhecia da universidade outro cara que podia (Eno não era lá propriamente um músico,mas conseguia aranhar alguma coisa) tocar teclados com eles, Brian Eno — que também transava avant-garde, música concreta e eletrônica. Faltava alguém para segurar as baquetas e um bom guitarrista, e lá foi Brian de novo procurar candidatos na Melody Maker. Apareceu Paul Thompson para a bateria e Phil Manzanera para a guitarra. Estava quase formado o que viria a ser o Roxy Music. Faltava apenas fechar contrato com a alternativa E.G. Records — que havia lançado o Crimson, Emerson, Lake And Palmer e o T.Rex, entre outros — e um empurrãozinho do editor da Melody, Richard Williams,e o DJ John Peel, da BBC de Londres que, naquela época, era um dos maiores divulgadores do que viria a se chamar de Glam Rock. Faltava também que Manzanera, que havia ficado em segunda época no vestibular para guitarista e virou roadie, fosse escolhido como solista: durante o tempo em que ficou no staff, Phil decorou todo o repertório da banda. Acabou prontamente admitido. Por último, a reposição de outro novo membro, dessa vez no contrabaixo: Rik Kenton no lugar do ciclotímico Graham Simpson. Estava formado o Roxy Music. Dois meses depois, em março de 72, a banda já estava em estúdio gravando o seu primeiro disco pela Island Records, depois de alguns percalços até que fossem difinitivamente contratados pela gravadora. A grande virtude de Roxy Music é a sua estética fragmentária, desde Re-Make/Re-Model até a utilização de paráfrases e metalinguística, como em 2HB, utilizando um discurso musical eclético.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

8 de setembro de 2009

Paul Simon - Paul Simon


Paul Simon - Paul Simon(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Roy Halee
Formação Principal no Disco: Paul Simon - Hal Blaine - Huks Brown - Ron Carter - Russel George - Stephane Grappelli - Winston Grennan - Stefan Grossman - Jerry Hahn - Neville Hinds - Jackie Jackson - Larry Knechtel - Denzil Laing - Fred Lipsius - Los Incas - Mike Mainieri - Charlie McCoy - Victor Montanez - Airto Moreira - Joe Osborn - John Schroer - David Spinozza - Steven Turre - Wallace Wilson - Cissy Houston - Von Eva Sims - Renelle Stafford - Deirdre Tuck
Estilo: Folk
Relacionados: Los Incas/John Renbourn/Bert Jansch
Destaque: Duncan
Melhor Posição na Billboard: 4o

Opinião do leitor:
Ao contrário do que muita gente pensa, a carreira solo de Paul Simon não se iniciou com o lançamento do laureado disco homônimo, de 1972: cerca de seis anos antes, em 1965, após o fracasso comercial de Wednesday Morning, 3 A.M., o compositor se separou de Art Garfunkel e foi tentar a sorte em clubes noturnos na Swingin' London. Concomitantemente, muito do material pré-folk de Simon apareceu no mercado britânico, lançados em compactos de diversos selos diferentes. O resultado disso foi uma compilação, The Paul Simon Songbook, que trazia, inclusive, canções como I Am a Rock e April Come She Will (vale lembrar que o Wednesday Morning, 3 A.M. não havia sido lançado na Inglaterra ainda). O inesperado aconteceu, pouco tempo depois: a CBS eletrificou (mixou bateria, baixo e guitara na gravação original) a então acústica Sounds Of Silence e, como trilha do filme A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate, de Mike Nichols), levou Simon e Garfunkel ao topo das paradas, reunindo Simon e Art novamente, para uma série de álbuns clásicos: Sounds of Silence, Parsley, Sage, Rosemary and Thyme; Bookends e Bridge over Troubled Water.Após a seperação definitiva com Art, em 1970, Simon virou professor de música e começou a compor o seu próprio repertório — muito embora fosse ele o compositor da dupla. A diferença é que, diferente do material temático com Garfunkel, Paul passou a levar ao extremo vôos musicais onde, no duo, apenas se insinuavam. Assim como ele gravou a tradicional El Condor Passa (I f I Could), com os Los Incas, o autor de The Boxer fazia novas incursões na música andina, com Duncan, ou então se tornou uma espécie de pioneiro do blue-eyed reggae ao gravar a fenomenal Mother and Child Reunion junto coma banda de apoio de Jimmy Cliff (e co-produzido pelo mítico Leslie Kong, que morreria logo depois), numa época em que o tradicional ritmo jamaicano ainda não havia virado coqueluche e desembarcado de todo nas ilhas britânicas — exceto por alguns arroubos de Desmond Dekker, o LP Catch a Fire só seria lançado em 1973 e Eric Clapton só faria o cover de I Shot The Sheriff dois anos depois, no 461 Ocean Boulevard. Porém, é claro que, em seu segundo álbum solo, ainda seja possível encontrar o "velho" Paul Simon, dos tempos da dupla, em temas como Papa Hobo e Peace Like a River. Melhor, só se Art aparecesse para cantar...


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

7 de setembro de 2009

Nick Drake - Pink Moon


Nick Drake - Pink Moon(1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: John Wood
Formação Principal no Disco: Nick Drake
Estilo: Folk
Relacionados: Fairport Convention/John Cale/Donovan/Davy Graham/Martin Carthy/John Renbourn/Bert Jansch
Destaque: Pink Moon
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Mesmo aclamado por parte considerável da crítica, o audacioso Bryter Layter foi uma decepção para Nick Drake. Além de ter uma produção alienígena para o seu estilo intimista e conciso, o disco não vendeu nada. Para piorar, seu produtor, Joe Boyd, saiu da Witchseason, que foi vendida para a Island Records. Drake não se interessou em divulgar o álbum, e abandonou o palco em Ewell Technical College, em Londres, para se transformar, nos meses seguintes, num misantropo. A gravadora não tinha nenhuma expectativa em produzir um novo disco de Nick quando, em outubro de 71, ele apareceu nos estúdios do selo com um violão e um punhado de canções que se transformariam em seu Schwanengesang, Pink Moon. Dessa vez, ele queria fazer tudo sozinho. As gravações ocorreram numa progressão fulminante, durando apenas duas noites, totalizando onze músicas, cujo material compreendia pouco mais de vinte minutos de duração. John Wood, o produtor, ficou perplexo com o que ele achou como se Drake tivesse dado o seu recado de maneira economica e concisa: "era exatamente aquilo, nem mais nem menos", diz. Wood entende que Nick queria aquilo mais do que tudo: "Há mais de Nick Drake em Pink Moon do que em qualquer disco que ele tenha feito antes", explica. Terminadas as sessões, Drake levou os masters até o escritório da Island e, sem dizer nada, entregou-os para a secretária. Ninguém queria lançar o disco, exceto Chris Blackwell, que estava para a Island assim como John Hammond para a Columbia — pelo menos em relação à ver algo a mais voando no ar do que aviões de carreira. Mesmo que os executivos da gravadora achassem que não valia a pena apostar num intérprete que não tinha nenhuma ambição comercial e que não iria vender o próprio peixe, Blackwell decidiu apostar em Drake. Se não fosse por ele, aliás, a Island o teria dispensado muito antes. Boyd pelo menos insistiou para que Nick desse uma entrevista, e ele a concedeu, para Jerry Gilbert, da Sounds Magazine, onde Drake falou sobre música e de seu desinteresse em se apresentar ao vivo. Convencido de que sua inspiração o abandonara, o autor de Northern Sky decidiu abandonar a música para sempre. Ou quase.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

6 de setembro de 2009

Tim Buckley - Greetings From L.A


Tim Buckley - Greetings From L.A(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Jerry Goldstein
Formação Principal no Disco: Tim Buckley – Lee Underwood - Venetta Fields - Clydie King - Lorna Willard – Joe Falsia – Reinhold Press - Chuck Rainiey - Harry Hyams - Ralph Schaeffer – Louis Kievman – Robert Konrad – William Kurash – Jesse Ehrlich – Kevin Kelly – Paul Norros - Eugene Siegel - Jerry Goldstein - Carter Collins – Ed Greene
Estilo: Jazz-Rock - Funk - Folk
Relacionados: Capitain Beefheart/Frank Zappa/Soft Machine/Colosseum/ Caravan/ Nucleus
Destaque: Hong Kong Bar
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Tim Buckley abandonou aos poucos a colaboração com o poeta Larry Beckett e o folk que marcou o começo de sua careira em favor de uma sonoridade mais autorial, experimental e "difícil". Quando ele saiu da Elektra em favor da Straight Records de Frank Zappa, o cantor e compositor descobriu o terreno ideal para os seus vôos musicais. Discos como Happy Sad, Lorca e Blue Afternoon, respectivamente, representaram o ápice do seu processo criativo nesse sentido. Contudo, seus discos de vanguarda estavam, pouco a pouco, o afastando quase que definitivamente tanto do seu público quanto so próprio universo pop. Aliás, seu próprio ex-parceiro, Beckett, achava que Buckley fazia questão de alienar-se de seus ouvintes. Porém, aquilo chegou aum limite de misantropismo musical que Tim resolveu dar o braço a torcer: chamou Larry de volta (em Starsailor), e mudou novamente de estilo, abandonando o experimentalismo arte pela arte em favor do funk, ou mellhor, uma vião particular dele do que é o gênero. E desse novo conúbio nasceu Greetings From L.A. Concebido em parceria com Jerry Goldstein, o disco é uma ruptura total com qualquer coisa que ele tivesse feito antes, se aproximando do som de artistas como Van Morrison ou Sly Stone. Para seu total desgosto, o disco não fez sucesso nenhum, e passou batido, da mesma forma como ocorrera com seus LPs anteriores. se seus fãs já não entendiam muito bem o que se passava por sua mente, com a adoção gratuita de algo tão (des) pretenciosamente udigrúdi como o funk, para eles, aquilo parecia apenas uma tentativa de Buckley emse tornar comercial. Incompreendido por uns e odiado por outros e sem nenhum tostão no bolso, Tim acabou pregando no deserto. Resolveu renegar seus álbuns anteriores e acabou se afundando em drogas, como uma pedra rolante, para ressurgir tempos depois, numa turnê de retorno ao jet-set e tentar recuperar o tempo perdido, antes que fosse tarde.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

5 de setembro de 2009

Eagles - Eagles


Eagles - Eagles(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Glyn Johns
Formação Principal no Disco: Glenn Frey - Don Henley - Bernie Leadon - Randy Meisner
Estilo: Country Pop
Relacionados: Linda Ronstadt/Glen Campbell/John Denver
Destaque: Take It Easy
Melhor Posição na Billboard: 22o

Opinião do leitor:
Os Eagles começaram como um despretensioso trio de country, formado por Glenn Frey, Bernie Leadon e Randy Meisner, que o empresário de Linda Ronstadt recrutou para que eles fossem o seu backing group. Depois que a turnê acabou, ela mesma cuidou de estimular a banda para que seguisse uma carreira individual. Faltava um baterista, e o escolhido foi Don Henley. Da mesma maneira despretensiosa, em poucos anos, aquele quarteto de Los Angeles se tornaria a pedra angular de um estilo de country urbano que faria sucesso por toda a década, o Countrypolitan — uma espécie de segunda dentição do Nashville Sound, porém mais jovial em matéria de arranjos e mais potencialmente comercial no sentido de fazer um crossover entre o elementar e tradicional no country e o soft rock. Ou seja, para os puristas, iconoclasta mas para o mercado, um achado promissor. Claro que isso não implicava em afirmar que o Countrypolitan fosse apenas uma espécie de maquiavélica concessão ao gosto do ouvinte, mas uma forma de renovar e universalizar o bom e velho country. e, nesse sewntido, os Eagles eram um tanto conservadores: a despeito de fazer música pop, não dispensavam os elementos rústicos do bluegrass: Bernie Leadon, por exemplo, era peça fundamental no quarteto, tocando instrumentos como banjo, mandolim e dedilhado de guitarra acústica estilo Merle Travis, por exemplo. O disco de estréia da banda, Eagles, estava longe de ser um memorável disco de estréia, e estava distante do hard rock de petardos como One of These Nights e Hotel California, mas mostrava perfeitamente o que estava por vir, em canções como Take It Easy, que Glenn Frey fez em parceria com Jackson Browne e Witchy Woman, cantada por Don Henley que, embora fose o baterista, seria o intérprete de boa parte dos sucessos dos Eagles, como Desperado, The Best of My Love, One of These Nights e — é claro — Hotel California.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

4 de setembro de 2009

David Ackles - American Gothic


David Ackles - American Gothic(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Bernie Taupin
Formação Principal no Disco: David Ackles
Estilo: Folk/Pop
Relacionados: Elton John/Elvis Costello/Leonard Cohen
Destaque: Blues for Billy Whitecloud
Melhor Posição na Billboard: 167o

Opinião do leitor:
David Ackles é um cantor e compositor tão subestimado,mas tão subestimado que nem a sua morte foi capaz de transformá-lo em objeto de culto, a não ser por alguns poucos aficionados. Alguns deles, contemporâneos como Elton John, um fã incondicional de primeira audição, e o seu letrista-mor, Bernie Taupin que, inclusive, assina a produção de American Gothic, o terceiro álbum do músico norte-americano. E outros que viriam logo depois, como Elvis Costello, que coverizou vários temas dele. A questão é mais ou menos esa: Ackles perfaz o clichê poundiano do inventor: como dizia o poeta americano, inventores são artistas que estão à frente do seu tempo, subvertem o consagrado, inventam novas formas e modos de fazer. Como compositor-criador David não encontrava cognato, era totalmente original, a ponto de soar experimental demais, difícil demais, ousado demais e hermético demais. E anti-comercial demais. Para tanto, basta ouvir o discurso latente de Midnight Carousel — algo que iria fazer a cabeça de quem se espelharia em seu engenho poético — mestres, diluidores, lançadores de moda, como diria Ezra Pound. Como anti-beletrista, David não tinha parte com o sucesso, ou o êxito comercial — muito pelo contrário. Ou seja, no fim das contas, Ackles não chegou ao píncaros azulados da glória deles, mas teve a primazia de municiá-los de música e o tempo cuidou de recompensá-lo. Afinal, ele deveria ser fiel ao arquétipo do gênio incompreendido até o fim.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

1 de setembro de 2009

T. Rex - The Slider


T. Rex - The Slider(1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Tony Visconti
Formação Principal no Disco: Marc Bolan - Mickey Finn - Steve Currie - Bill Legend - Ian McDonald
Estilo: Glam Rock
Relacionados: David Bowie/Slade/Alice Cooper
Destaque: Metal Guru
Melhor Posição na Billboard: 17o

Opinião do leitor:
The Slider capta o T. Rex no auge do sucesso como banda (que lotou dois concertos memoráveis em Wembley e que, em parte, apareceriam no filme Born To Boogie) e como expoente do Glam Rock. Ao mesmo tempo, passa a limpo a sonoridade típica do gênero que antes se insinuava em Eletric Warrior e que, agora, como diria Rilke, lhe sobejava pelas veias e artérias. Totalmente elétrico (ao contrário dos trabalhos anteriores), Slider entronizava o Glam e era o trabalho mais audacioso de Mark Bolan no gênero. No entanto, o álbum, que estourou nas paradas norte-americanas, não teve o mesmo sucesso de Eletric Warrior na Inglaterra. Mas não resta dúvida que Slider é o melhor disco de Bolan com o T.Rex e um dos melhores discos (senão o melhor) do ano, desde Baby Boomerang, com o riff ligeiramente surrupiado de Don't Be Cruel, o boogie irresistível de Baby Strange, Metal Guru, um delicioso e memorável doo-up vintage (a melhor do disco) e Telegram Sam, que é beleza pura.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

29 de agosto de 2009

Stephen Stills & Manassas - Manassas


Stephen Stills & Manassas - Manassas(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Stephen Stills, Chris Hillman, Dallas Taylor
Formação Principal no Disco: Stephen Stills - Chris Hillman - Al Perkins - Calvin Samuels - Bill Wymann - Paul Harris - Dallas Taylor - Joe Lala - Sydney George - Jerry Aiello - Roger Bush - Byron Berline
Estilo: Country Rock
Relacionados: The Flying Burrito Brothers/Crosby, Stills, Nash/The Byrds
Destaque: It Doesn't Matter
Melhor Posição na Billboard: 4o

Opinião do leitor:
Assim como o seu parceiro musical, Neil Young, Stephen Stills era genioso demais para compartilhar seu talento com outros músicos. Isso em parte explica o fato de sua participação em conjuntos seja tão efêmera. Aliás, a convivência dele com Neil no Buffalo Springfield era por demais problemática, e foi um milagre que eles chegassem a se reconciliar para compor, junto com David Crosby e Graham Nash, uma obra-prima da envergadura de Deja Vu. Contudo, como não podia deixar de ser, a parceria acabou, e Stills finalmente partiu para uma carreira-solo. O irônico nisso tudo é que, a despeito de todo o seu trabalho individual não tinha a mística dos seus discos lançados 'coletivamente'. Tanto que, dois anos depois de deixar o CSNY, Stephen compôs a sua grande obra-prima mas, no entanto, como não podia deixar de ser, ele estava — mais uma vez — envolvido num projeto com outros músicos numa banda — o Manassas. Seu segundo álbum, com exceção de Change Partners (não confundir com a canção de Cole Porter de mesmo nome), passou ligeiramente batido. E o Manassas surgiu da idéia de juntar os antigos colaboradores do CSN junto com o ex-Byrds Chris Hilmann que, naquele momento, havia recém se demitido do Flying Burrito Brothers, junto com Gram Parsons. Enquanto o intrépido "Grevious Angel" partiu para a Riviera Francesa ficar doidão com Keith Richards, Hilman foi reforçar o ensamble de Stills. O resultado desa reunião, um álbum duplo do mesmo nome, é um trabalho temático perfeitamente enfeixado em seções bem divididas (a saber, The Raven, The Wilderness, Consider e Rock & Roll is Here to Stay) passando a limpo tanto o country-rock do CSNY (Colorado, Hide It So Deep), hillybilly (Don't Look At My shadow), o rock pop do Buffalo Springfield (Bound To Fall) e influências latinas (Both Of Us, It Doesn't Matter), honky tonk (a divertidíssima Falen Eagle), gospel (Jesus Gave Love Away) e blues (Jet Set). Alguém falou em Rolling Stones? Pois enquanto Keith e Mick Taylor gravavam o que seria o Exile On Main Street em Vilefranche-Sur-Mer, o entediado Bill Wymann fez o caminho inverso: atravessou o Atlântico para uma participação especial no Manassas, mais precisamente na faixa The Love Gangster, em parceria com Stills.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

28 de agosto de 2009

Stevie Wonder - Talking Book


Stevie Wonder - Talking Book(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Stevie Wonder, Robert Margouleff e Malcolm Cecil
Formação Principal no Disco: Jeff Beck - Buzzy Feton - Scott Edwards - Malcolm Cecil - Trevor Laurence - Ray Parker, Jr - Stevie Wonder - Syreeta Wright - Steve Madaio
Estilo: Soul
Relacionados: Danny Hathaway/Marvin Gaye/The Spinners
Destaque: Superstition
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Stevie Wonder era o meníno-prodígio da Motown: com treze anos, já tinha um primeiro lugar na parada soul da Billboard, em 1963. Foi o ponto de partida para uma exitosa careira como intérprete, que compreenderia pelo menos treze discos — contando o malfadado disco instrumental Eivets Rednow, de 1968, que ele gravou sob pseudônimo. Aqueles anos de formação começaram a render frutos quando ele começou a compor e passou a ter plena noção do que ele queria em estúdio (contando também com a inefável ajuda de Syreeta Wright, com quem ele se casaria). Isso se deu a partir de Signed, Sealed, and Delivered, que ele co-produziu. Esse seria o marco do capítulo 2 de Wonder — o seu período clássico. Contudo, Where I'm Coming From, o primeiro plenamente concebido por Stevie, não se saiu bem nas paradas, e isso lhe causou problemas para assinar um novo contrato com a Motown. O outro problema é que o dono do selo, Braford Gordy, controlava seus pupilos a mano militari, e não queria que nenhum deles saísse do cânone da gravadora. Isso não ia muito bem ao encontro com o interesse de artistas do tipo freestyle, como o novo Wonder e seu amigo, Marvin Gaye. A questão é que,nas justas com os donos do campinho, Marvin provou que mudar o clichê era o caminho e o seu What's Going On conseguiu convencer o impassível e draconiano Gordy de que algo estava acontecendo na música e ele não havia se dado conta: o modelo padrão da Tamla estava sendo superado e a própria concepção do formato álbum também. Braford queria que os LPs de seus artistas fossem meras coletâneas de canções de potencial comercial, como hit-singles packs. E Stevie ainda teria que se meter numa queda de braço com o todo-poderoso Braford para provar que estava certo. Rescindiu o contrato mas, como ele colaborava com o selo como músico e compositor, Wonder usou essa expediente como moeda de troca para se impor. Além de assumir todas as composições, ele queria mudar o seu próprio som, mesclando toda a sorte de instrumentos de teclado, como sintetizadorers moog e clavinetas. Esse seria a moldura dos seus álbuns seguintes e que se tornaria a sua marca registrada nas produções posteriores. O "novo som" já ficara evidente em canções como a fantástica Superwoman (Where Were You When I Needed You), do Music of My Mind. Mas o disco que iria consolidar ese paradigma seria Talking Book que, além de entronizar o estilo peculiar de Stevie Wonder, ele ainda faria o crossover com do funk com o rock, tanto na criação musical, introjetando elementos daquele gênero musical, como o moog e a clavineta Hohner (mais ou menos aquela, de teclas pretas, que o Lovin' Spoonful usa em Summer In The City, de 1966) quanto no gosto de público diverso daquele que consumia soul. O corolário foi o sucesso de Superstition nas paradas e durante a sua turnê com os Rolling Stones, naquele ano. Talking Book quebraria o mito de que roqueiros só apreciavam rock'n roll (se bem que os mods já misturavam guitaras rascantes com R&B há pelo menos uma década). E, de quebra, depois de mudar o soul, wonder iria mudar o rock.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

26 de agosto de 2009

Nitty Gritty Dirt Band - Will the Circle Be Unbroken


Nitty Gritty Dirt Band - Will the Circle Be Unbroken(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: William McEuen
Formação Principal no Disco: Nitty Gritty Dirt Band - Roy Acuff - Doc Watson - Earl Scruggs - Merle Travis - Vassar Clement - Jimmy Martin - Doc Watson - Carter Family
Estilo: Country
Relacionados: Johnny Cash/Carter Family/Merle Travis
Destaque: Wildwood Flower
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
O Country nasceu do Hillibily, um gênero que floresceu no sul dos Estados Unidos e na região dos Apalaches, e tinha raízes folclóricas. Apesar das primeiras gravações surgirem só nos anos 20, ele só se tornou popular na era do rádio, principalmente com o advento do maior programa radiofônico do estilo, Grande Ole Opry, líder de audiência transmitido pela WSM-AM de Nashville desde 1925 até os dias de hoje, e foi responsável pela mitificação de grandes nomes do country, principalmente os pioneiros, como Jimmie Rodgers, Roy Acuff, a Família Carter e, é claro, o maior de todos, Hank Williams. Com a aparição do rock e o rockabilly (que era um country misturado com boogie woogie e mais percussão, algo que o country abominava), o gênero perdeu o seu público jovem e, em Nashville, gente como Owen Bradley e Chet Atkins, junto com a Columbia e a Victor, decidiram investir maioridade ao estilo, deixando o country mais classudo e menos "caipirizado", com a escolha de cantores de qualidade (como Don Gibson e Jim Reeves, por exemplo) e aranjos idem — era o Nashville Sound. Esse estilo teve o seu auge no fim dos anos 50 e começo, e começou a decair quando começou a se regionalizar e perder cada vez mais espaço para o rock ianque que, a partir dos anos 60, passou a capitalizar muitos de seus elementos. Um exemplo é Elvis Presley, que tinha os Jordinaires como backing group, o mesmo que acompanhava a rainha do country, Patsy Cline, e utilizou muitos elementos do Nashville Sound em sua música. A partir do fim dos anos 60, o rock deglutiu o country: bandas como o Grateful Dead, os Allman Brothers, os Byrds, Flying Burrito Brothers criaram o country-rock, à medida outros músicos, como Willie Nelson, Dolly Parton, Loretta Lynn, Linda Ronstadt, Gram Parsons, Clarence White e Emmilou Harris, que popularizavam o country fora do cânone de Nashville, num sub-gênero intitulado outlaw country. Nessa época, na Califórnia, na esteira do Dead e dos Byrds, surgiu o The Nitty Gritty Dirt Band. Inicialmente uma jugband (espécie de ensamble de folk e bluegrass mais “roots”, com instrumentos rústicos, misturando violões e mandolins com reco-recos de tábuas de lavar roupa e contrabaixos feitos de baldes e vassouras, vasos de barro como instrumentos de sopro, dando um certo ar humorístico à apresentação desses conjuntos), eles seguiram o caminho da banda de Roger McGuinn no disco Sweetheart Of The Rodeo no sentido de empreender uma pesquisa histórica das raízes do country. Contudo, ao contrário daqueles, a Nitty Gritty Dirt Band decidiu dar cabo desse desafio: além de tentar contar a história do gênero mais popular da América, eles resolveram juntar o pessoal da antiga com a nova geração, no disco Will the Circle Be Unbroken. Concebido como álbum triplo, ele pode ser comparado em magnitude ao Anthology of American Folk Music. A diferença é que, em vez de ser uma mera compilação, a Nitty Gritty juntou toda aquele pessoal que estava esquecido pelo tempo e os convidou para uma sessão histórica. Reuniram dinossauros do country, como Roy Acuff, Doc Watson, Earl Scruggs (que é um, senão o maior tocador de banjo da história do bluegrass americano), Vassar Clement, Jimmy Martin e a matricarca do gênero e exímila violonista, Maybelle Carter, a histórica remanescente da primeira dentição da Família Carter que, naquela época, ainda aparecia no programa de Johnny Cash (Mãe Maybelle era a sogrona de Cash, que era casado com June e irmã de Helen). O improvisado (as sessões foram gravadas ao vivo, em tomadas únicas e praticamente sem mixagens posteriores) encontro dos cabeludos da Costa Oeste americana do Nitty Gritty Dirt Band coma Velha Guarda do country foi um sucesso. A regravação do clássico de Hank Williams, I Saw The Light chegou às paradas, Will the Circle Be Unbroken concorreu ao Grammy de disco do ano, o veterano Clement se tornou celebridade depois de anos de quase anonimato e Nitty Gritty foi convidado para realizar uma turnê pelo Extremo Oriente. Além de I Saw The Light, Will the Circle Be Unbroken revisita décadas de country, indo de canções “contemporâneas” como Both Sides Now (de Joni Mitchell), interpretado por Randy Scruggs, e passando por clássicos de Hank Williams, como Honky Tonk Blues, a lenda do fingerpiking, Merle Travis, com a sua Dark as Dungeon (que foi regravado por Johnny Cash no At The Folsom Prision), cantado por próprio autor, Orange Blossom Special, Keep On The Sunny Side, Lost Highway, I Am a Piligrim (também gravado pelos Byrds) e, como não poderia deixar de ser, o maior sucesso da Família Carter, Wildwood Flower, cantado pela Mãe Maybelle. Em 1989, Will the Circle Be Unbroken ganharia uma continuação.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

24 de agosto de 2009

Todd Rundgren - Something/Anything?


Todd Rundgren - Something/Anything?(1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Todd Rundgren
Formação Principal no Disco: Todd Rundgren
Estilo: Power Pop
Relacionados: Badfinger/Big Star/The Raspberries
Destaque: I Saw the Light
Melhor Posição na Billboard: 29o

Opinião do leitor:
O Power Pop apreceu na Inglaterra do fim dos anos 60, com bandas como o Badfinger. Porém, à medida em que o cenário musical britânico mudou em favor do Glam, o gênero migrou para os Estados Unidos. Foi lá que, na década seguinte, o estilo floresceu, com bandas como o Big Star, Raspberries, Flamin' Groovies e The Replacements. Porém, o mais célebre produto do Power Pop nasceu da inspiração de uma pessoa só, Todd Rundgren, mais precisamente no seu terceiro trabalho, Something/Anything?. Ao contrário do conciso e discreto Runt, Something/Anything? é um disco audacioso, a começar pelo fato de que Todd toca todos os instrumentos, exceto a quarta parte do LP (que é duplo), a suíte Baby Needs a New Pair of Snakeskin Boots (A Pop Operetta). Rundgren concebeu o álbum como um trabalho essencialmente eclético, amalgamando o pop com uma linguagem musical sofisticada, inspirada nos arranjos de Eli And The Thirteenth Confession, de Laura Nyro, e no trabalho de Carole King, e misturando tudo com momentos de puro rock. Ao mesmo tempo em que flerta com bom mocismo do pop britânico passadista dos anos 60, ele passa a limpo os melhores momentos de bandas como os Beatles ou os Beach Boys, mas com uma dosagem considerável de experimentalismo — como em The Night The Carousel Burnt Down, onde Todd utiliza elementos de música concreta. E, ouvindo petardos como Little Red Lights, é difícil imaginar que tudo foi feito por uma única e escassa pessoa. Mesmo soando ligeiramente 'difícil', a crítica ruminou com louvor o arroubo de Something/Anything? que, com o passar dos anos, se tornou o maior sucesso comercial de um cantor-compositor em todos os tempos. E, em 1974, o álbum de Rundgren chegaria ao Disco de Ouro.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

23 de agosto de 2009

Mílton Nascimento e Lô Borges - Clube da Esquina


Mílton Nascimento e Lô Borges - Clube da Esquina(1972)

Origem: Brasil
Produtor: Wagner Tiso
Formação Principal no Disco: Milton Nascimento - Lô Borges - Beto Guedes - Márcio Borges - Fernando Brant - Toninho Horta - Flávio Venturini
Estilo: MPB
Relacionados: Chico Buarque/Caetano Veloso/Gilberto Gil
Destaque: Nada Será Como Antes
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
1972. Sufocado pelo Movimento Revolucionário de 64, naquele momento histórico, toda a alegria do Brasil havia se evadido. Toda? Não! Um grupo de mineiros irredutíveis resolveu embarcar no trem azul de Mílton Nascimento e Lô Borges, num disco que seria um divisor da águas na história da Música Popular Brasileira, o Clube da Esquina. O clube formalmente nunca existiu: era um convescote entre Mílton que,embora fosse carioca do Rio, passou a primeira infância em Três Pontas onde, já adolescente, iniciou carreira musical com Wagner Tiso. Adulto, foi estudar Economia em Belo Horizonte em meados dos 60 e foi lá que ele travou conhecimento com os irmãos Borges (Márcio e Lô) e Fernando Brant, além de outros músicos aspirantes, como Tavinho Moura, Ronaldo Bastos e Beto Guedes. Dos encontros informais na esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis nasceria a mais influente pororoca musical depois do Tropicalismo de Gil, Caetano, Duprat, Mutantes, Tom Zé e Torquato Neto. Nascimento ganhou projeção nacional em 1967, quando conseguiu o segundo lugar numa etapa do Festival da Canção daquele ano. Mílton, que já tinha quatro LPs gravados, seria a ponta de lança do projeto audacioso de transpor todas as tendências musicais de seus amigos num disco duplo, algo inédito parta a época. E mais do que o símbolo de uma época adversa — e também por conta disso — Clube da Esquina era a síntese a a voz daquela geração, ao mesmo tempo em que era a expressão singular de cada membro do grupo, que amalgamava de forma crítica e criativa a linguagem regional, a Bossa Nova com o pop urbano herdado dos Beatles (como em Trem de Doido) junto com poesia underground e arroubos de música erudita, a cargo de Wagner Tiso (Um Girassol da Cor do Sol, Um Gosto de Sol), além de momentos inesquecíveis, como Nada será Como Antes, Trem Azul, Nuvem Cigana e Me Deixa Em Paz. Um clássico.


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

22 de agosto de 2009

Hugh Masekela - Home Is Where The Music Is


Hugh Masekela - Home Is Where The Music Is (1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Stewart Levine e Caiphus Semenya
Formação Principal no Disco: Hugh Masekela - Dudu Pukwana - Larry Willis - Eddie Gomez - Nakhaya Ntshoko
Estilo: Jazz
Relacionados: Miles Davis/Chick Corea/Manhattan Brothers
Destaque: Minawa
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:

Hugh Masekela é uma lenda viva do jazz contemporâneo. Nascido na África do Sul em 1939, cedo se interessou por música instrumental e pôde sar vazão ao seu talento porque teve um preceptor, o capelão Trevor Hudleston, que era avesso ao regime de segregação racial daquele país e teve sensibilidade suficiente para encaminhar o jovem Masekela, que desde cedo se interessou pelo trompete — principalmente depois de assistir à cinebiografia do desafortunado gênio Bix Biderbecke (dos pioneiros do gênero, o maior instrumentista branco do estilo, rivalizando apenas com seu maio ídolo, um cara chamado Louis Armstrong). Com menos de vinte anos, já dominava o trompete como poucos, e já formava conjuntos de jazz, até que colaborou com a Manhattan Brothers, o único conjunto do estilo que se apresentava estritamente para platéias negras. Em 1958, o grupo participou do musical King Kong. A peça se tornou num arrasa-quarteirão que, além de lançar a carreira internacional de Miriam Makeba (com quem Hugh se casaria), fez o espetáculo ir parar no Princes’ Theatre de Londres, ficando em cartaz por dois anos. Quando Masekela acreditou que a música poderia salvar a adversa e bizantina situação de racismo em seu país, o governo sul-africano reagiu violentamente a um protesto pacífico realizado de 7 mil pessoas em Sharpeville, em março de 1960, matando 69 pessoas e ferindo mais de duzentas. Masekela, que sempre foi militante de primeira hora, sensível aos problemas de seu povo em seu país, e que sempre exprimiu esse sentimento de revolta em sua música, se tornando persona non grata na África do Sul, entrou para a lista negra do governo, e teve que partir. Com a ajuda de Hudleston e do maestro Yehudi Menuhin, ele foi para o Reino Unido, a fim de aprimorar o seu conhecimento musical, porém vivendo sempre na conexão com Nova Iorque, onde conheceu Harry Belafonte. Nos anos 60, Hugh gravou quatro discos, ganhou um Grammy (em 1968, por melhor performance pop, com Grazin’ In The Grass) se tornou internacionalmente conhecido no mundo do jazz e chegou a colaborar com músico de estúdio com muita gente. É ele quem toca trompete em So You Want To Be a Rock’n Roll Star, do Younger Than Yesterday, dos Byrds. Porém, seu maior trabalho viria na década seguinte, com Home Is Where the Music Is. Lançado pela Blue Thumb, ao contrário do que era voga no gênero naquele tempo, o ecletismo do fusion (entronizado por Miles Davis, a partir do fim dos anos 60, com Bitches Brew) ou seja, a eletrificação do jazz, Hugh Masekela cortou a onda e fez um álbum acústico, de o máximo de eletrificação permitida reside no órgão de Larry Willis em faixas como Part Of a Whole. Pois o genial em tudo é ver uma performance em uma dezena de faixas instigantes (o disco originalmente foi lançado como LP duplo) e dentro de um cânone musical pré-fusion sem soar passadista, é, sem sombra de dúvida, com o perdão dos jazzistas iconoclastas, mas é despretensiosamente a melhor sessão de jazz da década. Home Is Where the Music Is conta ainda com a colaboração do maestro Caiphus Semenya, que é autor de cinco temas, e de Miriam Makeba, que é a autora de Umhome, o melhor momento do disco, depois de Maseru, do próprio Hugh Masekela.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

21 de agosto de 2009

Lou Reed - Transformer


Lou Reed - Transformer (1972)

Origem: Inglaterra/Estados Unidos
Produtor: David Bowie e Mick Ronson
Formação Principal no Disco: Lou Reed - Herbie Flowers - Mick Ronson - John Halsey - Ronnie Ross
Estilo: Glam Rock
Relacionados: The Hype/Velvet Underground/David Bowie
Destaque: Satelite Of Love
Melhor Posição na Billboard: 29o

Opinião do leitor:
Com o fim do Velvet Underground, mesmo sendo o guitarrista e o principal colaborador da banda, Lou Reed quase deu adeus à vida de músico para se fornar um mero burocrata nos negócios de seu pai. Em 1971, a RCA resolveu contratá-lo para gravar um disco. Ele resolveu reaproveitar sobras do seu trabalho com o Velvet no que seria o seu disco de estréia que, a despeito da excelente produção e a participação de gente como os membros do Yes, Rick Wakeman e Steve Howe, acabou não deslanchando. Foi quando Lou se converteu à Igreja Davidbowiana do Glam Rock. Com Ziggy e seu fiel escudeiro, Mick Ronson, do Hype, Reed foi devidamente ungido. Para seu novo disco, ele agora se focou em material inédito (Andy's Chest era do quarto disco do Velvet, que foi abortado). Se em parte, a dupla soube explorar todo o talento do compositor norte-americano dentro daquele estilo musical, por outro lado, esse mesmo estilo coube como uma luva com as pretensões e o estro dele, que fez de Transformer a sua obra prima. Dali saíram sucessos como Perfect Day, Satelite Of Love e, é claro, Walk On The Wildside. A despeito da letra ser censurada e a música banida em várias partes do globo, a curiosa crônica da fauna de michês e junkies e da boemia mal vestida dos hipsters nova-iorquinos (Haingin' Around seria outro exemplo) ganhou o mundo. Na verdade, eram eram histórias reais sobre personagens imaginários que curcundavam a galáxia de Andy Wahrol, como Holly Woodlawn, Candy Darling, Joe Dallesandro, Joe Campbell (a explicação da referência à ele, "fadinha açucarada", é relativo a um dos seus papéis como ator) e Jackie Curtis. Bowie e Ronson souberam transpor e sublimar o rock de Reed ao estilo pop mais 'filtrado' do glam, mudando os arranjos ao gosto da época, transformando rocks em baladas, e colocando cordas e saxofones (a cargo de Ronnie Ross) em arranjos dramáticos que se tornariam antológicos, como em Perfect Day. Mas havia ainda espaço para rock, certeiro ainda que deliciosamente sutil, como I'm So Free e a chuckberryana e irreverente Hangin' Around. Aliás, os próprios Rolling Stones fariam algo parecido na sua fase glam, com Starfuker (Star, Star), do Goat Head' Soup, de 1973.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

20 de agosto de 2009

Yes - Close to The Edge


Yes - Close to The Edge (1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Yes e Eddie Offord
Formação Principal no Disco: John Anderson - Steve Howe - Rick Wakeman - Chris Squire - Bill Brufford
Estilo: Progressivo
Relacionados: Emerson, Lake & Palmer/King Crimson/Genesis
Destaque: And You and I: Cord of Life/Eclipse/The Preacher the Teacher/Apocalypse
Melhor Posição na Billboard: 3o

Opinião do leitor:
Close to The Edge é um momento único dentro da careira do Yes (em sua mais sublime formação, com Howe, Anderson, Squire, Brufford e a produção de Eddie (Are You Ready, Eddie?) Offord) e, com efeito, de toda a história do rock progressivo — um estilo que levou o gênero ao paroxismo da perfeição formal em matéria de criatividade, textura sonora, harmonias, complexidade, concepção temática, arranjo e, principalmente pré-produção. Do contrário, que o ouvinte distraído tente compreender como esse time imbatível pôde conceber tal monumentalidade na escolha de uma paleta de timbres e arranjos, dentro de uma suíte de três partes que, quanto mais se ouve, mais se percebe algo de novo e diverso. Para se ter uma idéia, só primeiro movimento, também intitulado Close to The Edge, e subdividido em quatro partes temáticas, é mais ou menos uma recriação livre e rapsódica (ou seja, disposto em trechos interdependentes ou não) do que seria a forma-sonata, típica da música erudita. Vários motivos sonoros aparecem e reaparecem, e trechos de letras também, em variações surpreendentes, interlúdios com tipos diversos de teclado — a cargo de ninguém menos que Rick Wakeman, que fez o seu début no quinteto em Fragile. And You and I, o segundo movimento, este dividido em quatro partes, é arte pela arte, tamanha a interação entre o característico dedilhado do violão 12 cordas de Steve Howe até a extrema complexidade do trabalho de teclados (moog, mellotron) em Eclipse. Siberian Khatru (genial a influente ao ponto de que o groove da guitarra de Howe é ostensivamente citada em Get On Top, do Californication, do Red Hot Chilli Peppers), a deradeira seção de Close to The Edge, por sua vez, não é subdividida em partes, porém é notável pelo turbilhão de harmonias e tons — e pelo fato de sempre ter a Sagração da Primavera do Stravisnki (que, assim como acontece com Jan Sibelius, é sutilmente citado ao longo do álbum) como prelúdio nas versões ao vivo do Yes. Close To The Edge também seria a última vez em que Howe, Anderson, Squire, Brufford tocariam juntos: a partir de Tales from Topographic Oceans, Alan White assumiria as baquetas no lugar de Bill, que iria para o King Crimson. O impressionante é que White assumiu uma prova de fogo: foi para a bateria na turnê americana do Close to The Edge, simplesmente aprendeu as partes de Brufford em três dias (!).
Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

19 de agosto de 2009

Deep Purple – Made In Japan


Deep Purple – Made In Japan (1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Deep Purple
Formação Principal no Disco: Ian Gillan – Jon Lord – Ritchie Blackmore – Ian Paice
Estilo: Hard Rock
Relacionados: Led Zeppelin/Rainbow/Black Sabbath
Destaque: Space Trukin’
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
Existem exemplos memoráveis de grandes momentos ao vivo de bandas de rock. No princípio era o caos: o registro era precário e a tecnologia de mixagem e masterização idem. Do que se gravava, pouco se aproveitava. Microfones falhavam, guitarras 'sumiam' ou pior — os decibéis da platéia ensandecida punham tudo a perder. Um exemplo foi o Got Live If You Want It!, dos Rolling Stones. A gravação é péssima, a despeito do desempenho em palco da banda de Mick Jagger. A Decca pôs o show do Albert Hall em 1966 a contragosto da banda numa montagem desleixada e terrível — feita em estúdio que vale apenas pelo registro histórico. A verdade é que se há um tempo para tudo, como diz o Eclesiastes, o tempo dos grandes concertos de rock ainda não havia chegado. De lá para cá, o rock evoluiu, o público também. Se antes eram um batalhão de bobbysocks histéricas berrando para um grupo tocando com uma aparelhagem de som que qualquer conjunto de bar hoje se recusaria a utilizar (para se ter uma parca idéia, em 1965 e 66, os Beatles tocaram no Shea Stadium de Nova Iorque para 55 mil garotas ululantes e capazes de anular o ruído de um jato comercial, e em vão tentando se fazer ouvir com os amplificadores improvisados em microfones que eram captados pelo precário sistema de som do estádio). Os Stones, depois do fiasco compulsório do Got Live, prepararam um disco mais audacioso, que redundaria no Get Her’s Ya Ya Out, registro da turnê de 1969. Mesmo que manipulado em estúdio, talvez este seja um dos primeiros grandes discos do gênero. Mas eles eram os pioneiros, o rock estava mudando, e o palco passou a ser um reduto especial e sagrado da nova geração. A partir daquele ano é que surgiram os grandes álbuns ao vivo com bandas que, independente do estilo, tinham estavam imbuídos dessa concepção transformadora do palco, ao transformar shows em sofisticados rituais sagrados — e o público, que antes ia só para gritar e ver os seus ídolos, agora ia para ouvir. A partir dessa nova geração, surgiram pérolas como o Live/Dead, do Grateful Dead (que é uma banda essencialmente performática), o At Leeds, do The Who e o At Fillmore East, do Allman Brothers Band. Os exemplos não são gratuitos. Mais do que registros históricos, são performances exemplares e singulares, não meras reproduções de versões de estúdio, ou seja, longe do que é sublimado dentro do formalismo das produções de estúdio, o palco se transformaria num espaço para catalisar todo o vigor, o virtuosismo, dentro do espírito do lúdico e da improvisação. No caso do Deep Purple, por exemplo, é incrível observar como a histórica segunda formação do quinteto britânico evoluiu num espaço entre um disco ao vivo, experimental e audacioso, o Concerto For Group And Orchestra e outro, que além de ser o apogeu da fórmula do Purple como banda, ao sintetizar toda a experiência adquirida naquele espaço de tempo — de setembro de 1969 até agosto de 72 — é um registro histórico único. Isso sem contar que, apesar do DP ter decidido gravar a sua primeira turnê ao Japão (em Osaka e Tóquio, mais precisamente), eles não tinham certeza de que valeria a pena transformar os highlights das apresentações em disco. Mas o passo seguinte seria dado pelas bandas de progressivo e de hard rock que surgiram no final dos anos 60 e que fecharam aquele ciclo representando o começo de outro. Já era possível ver que, nesse momento, discos (e filmes) ao vivo deixavam de ser simulacros fonográficos para ganharem vida própria. Ewxemplos não faltam: o primeiro LP do Ummagumma, do Pink Floyd, o Pictures An Exibition, do Emerson, Lake And Palmer, o The Last Waltz (filme e o disco). Mas se é já difícil comparar estes entre si, mais difícil é classificar entre eles algo como Made In Japan, que é um espetáculo wagnerianamente sublime. Para tanto, basta ouvir a versão gravada no NHK Hall em Osaka para Child In Time, onde Ian Gillan, no auge da sua excelência como vocalista, mimetiza de forma inefável e inacreditável os agudos da guitarra de Ritchie Blackmore e faz uma versão definitiva da música. A performance é tão singular que, tempos depois, o próprio Ian confessou que ele ficaria refém de sua proeza vocal e que, dificlmente em anos seguintes, suas cordas vocais conseguiriam efeito análogo. Mas, graças a Thomas Edison, é possível aos mortais ouvir coisas que, se não fossem gravadas, seriam apenas lendas urbanas na tradição oral, como o violão de Robert Johnson e, é claro, o Made In Japan.
Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

18 de agosto de 2009

Slade - Slayed?


Slade - Slayed? (1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Chas Chandler
Formação Principal no Disco: Noddy Holder - Dave Hill - Jim Lea - Don Powell
Estilo: Glam Rock
Relacionados: David Bowie/T. Rex/Alice Cooper/Suzi Quatro
Destaque: Mama Weer All Crazee Now
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Se David Bowie representava o lado apolíneo do Glam Rock britânico, o lado dionisíaco ficou por conta do Slade. Uma das mais bem sucedidas bandas britânicas de todos os tempos, conseguindo seis primeiros lugares nas paradas de sucesso e doze Top 5. a banda colocava gente até no lustre em shows lotados e a dupla Noddy Holder e Jim Lea (letra e música, respectivamente) chegaram em ombrear gente da estatura de Jagger e Richards no sentido de concorrerem à um duo de criadores da melhor da trilha sonora dos anos 70, com hinos de rock como Happy Xmas Everybody e Cum On Feel The Noise. O paradoxal é que, a despeito de tomarem o Reino Unido de assalto entre 1971 e 74, eles nunca obtiveram êxito similar em terras ianques — o que não os impediu de se tornarem influentes o suficiente para serem a inspiração para o estilo de bandas como o Kiss. Gene Simmons disse que, desde o princípio, admirava a forma com qual o Slade lidava com o público em suas apresentações, sua presença de palco e, sem dúvida, o arranjo marcante de canções como Gudbye T' Jane, que eram canções típicas, em ritmo de marcial, e que se mostrariam, com o tempo, um paradigma de rock’n roll muito boas para — usando a expressão corrente — ‘levantar estádios’, como, por que não dizer, Hold Back The Water, do Bachman Turner Overdrive (1973) e, como não poderia deixar de ser, outra descendente direta de Gudbye T' Jane, Rock And Roll All Nite, do Kiss (curiosamente, as duas fizeram mais sucesso em versões ao vivo). Slayed?, seria o big bang dessa vistosa coqueluche. Embora não tão incensado, audacioso e sofisticado como o Slade On Flame, o terceiro álbum do quarteto inglês apontava para o mega estrelato da banda, com hits como Mama Weer All Crazee Now — primeiro lugar absoluto (em setembro de 72, e que naturalmente alavancou Slayed?, que sairia dois meses depois) nas paradas do Reino Unido, além da supracitada Gudbye T' Jane. O disco ainda contém covers bastante singulares de Move Over, da Janis Joplin e Let The Good Times Roll, da dupla de R&B norte-americana dos anos 50, Shirley And Lee.


Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

17 de agosto de 2009

Curtis Mayfield - Superfly


Curtis Mayfield - Superfly (1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Curtis Mayfield
Formação Principal no Disco: Curtis Mayfield - Joseph Lucky Scott - Master Henry Gibson - Tyrone McCullen - Craig McCullen
Estilo: Funk
Relacionados: Impressions/Sly And The Family Stone/Isaac Hayes
Destaque: No Thing On Me
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Superfly, o terceiro trabalho solo de Curtis Mayfield, é certamente a sua obra-prima, sem contar que atingiu o primeiro lugar tanto nas paradas de pop quanto de jazz e black music, e colocou quatro compactos entre os Top 10 por quase um ano. Trilha do filme de mesmo nome, a película é a história de um ex-traficante de drogas que quer mudar de vida. Assim como o policial Shaft — onde Isaac Hayes fez os temas esencialmente instrumentais (Curtis compôs apenas dois assim), Superfly, com efeito, entrou na moda do momento — filmes tipo Blaxploitation — voltados a um público negro e com temática característica. O êxito comercial de Shaft abriu o caminho para esse gênero da sétima arte setecentista, porém as semelhanças entre o filme musicado por Hayes e de Mansfield terminam ali. Enquanto o roteiro de Gordon Parkes vai mais pela linha da aventura, como em filmes tipo Dirty Harry, o de seu filho (Parks Jr.) explora mais a questão social da miséria e do abuso de drogas pesadas nos guetos das randes cidades americanas, pelo ponto de vista da condição humana de seus protagonistas. No mesmo mote do consagrado What’s Going On, de Marvin Gaye e o Innervisions, de Steve Wonder, a música de Mayfield, que naturalmente explora a temática social apresentada no filme, amalgamando com o tipo de música consumida por esse tipo de público-ouvinte, o funk e o soul, obteve o mesmo sucesso inesperado de Gaye. Mesmo que a parte da crítica cinematográfica tenha ficado em dúvidas quanto a real mensagem contida no roteiro, a musical (vale lembrar que muitos temas do disco aparecem no filme em versões instrumentais, como Freddie’s Dead) foi unânime em exaltar a contida nas letras; a Rolling Stone chegou ao ponto de dizer que Superfly de Mayfield, — cujo êxito presente não era surpreendente, já que o músico era figura proeminente dos movimentos dos Direitos Civis nos anos 60, inclusive contribuindo com temas marcantes, como We’re a Winner — era o seu melhor trabalho desde os Impressions. Superfly também significaria uma retomada em sua carreira como maestro de produções similares, ao longo dos anos seguintes.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

9 de agosto de 2009

Neil Young - Harvest


Neil Young - Harvest (1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Neil Young
Formação Principal no Disco: Ben Keith - Jack Nitzsche - Tim Drummond - Kenny Buttrey - David Crosby - Graham Nash - Linda Ronstadt - Stephen Stills
Estilo: Country Rock
Relacionados: Crosby, Stills, Nash/Buffalo Springfield/Bob Dylan
Destaque: Alabama
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
Depois de se separar do Crosby, Stills, Nash e do Crazy Horse, Neil Young empreendeu uma turnê como trovador solitário, intitulada Journey Through the Past, que também foi gravada (mais precisamente a apresentação no Masey Hall, em Toronto, em 1971). Meses depois, em Nashville, ele formou um novo grupo, liderado pelo saxofonista e pianista Jack Nietsche, os The Stray Gators. Essa seria a formação embrionária dos músicos que, com Young, participariam do álbum Harvest. Despretencioso, eclético, introspectivo, Harvest superou as expectativas do próprio Neil, que enxergou o seu qarto trabalho estourar na paradas americanas: Heart Of Gold foi o seu primeiro número 1 na Billboard. Harvest também foi uma reunião da banda imaginária, Planet Earth Rock and Roll Orchestra, que é mais ou menos todo o pessoal que girava em torno do Crosby, Stills, Nash, James Taylor, Linda Ronstadt, além de David e Graham, que fazem os backing vocals. Harvest também traz clássicos eternos de Young, como Alabama (uma sutil crítica aos usos e costumes do sul, que geraria uma resposta de seu amigo, Ronnie Van Zant, com Sweet Home Alabama), Harvest,The Needle and the Damage Done (que Neil escreveu para Danny Whitten, e é a única faixa ao vivo do disco), Old Man e duas faixas que o compositor gravou com a London Symphony Orchestra, There's a World e A Man Needs a Maid e que, por si só, já valeria o Harvest inteiro. O sucesso inesperado do novo álbum foi tanto que, mesmo cansado da Journey Through the Past, Neil acabou pegando o Stray Gators e caindo na estrada outra vez.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

8 de agosto de 2009

Steely Dan - Can't Buy a Thrill


Steely Dan - Can't Buy a Thrill (1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: Gary Katz
Formação Principal no Disco: Donald Fagen - Walter Becker - Jeff "Skunk" Baxter -Denny Dias - Elliott Randall
Estilo: Jazz, Pop
Relacionados: Jay and the Americans
Destaque: Do It Again
Melhor Posição na Billboard: 17o

Opinião do leitor:
Eclético, perfeccionista, o Steely Dan era uma esfinge no meio da década de 70. Eles pareciam estar à margem do som comercial que tocava nas rádios, mas ao mesmo tempo, tinha um ingrediente pop fundamental e eficiente, que fez com que músicas de arranjos requintados caíssem no gosto do público. A banda lançou incialmemnte um promo com Dallas, mas o sucesso foi inverso ao do lançamento do seu primeiro disco, Can't Buy a Thrill. Do It again foi para o sexto lugar nas paradas da Billboard e, até hoje, junto com Rikki Don't Lose That Number, é uma das suas canções mais conhecidas, e ganhou umaversão do Eumir Deodato. No ano seguinte, o Steely ia lançar Countdown to Ecstasy, tão bom quanto o anterior, mas não obteve o mesmo successo pelo próprio estilo jazzístico e "difícil" da banda. O nome do disco é uma alusão à música It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry, do Highway 61 Revisited.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

2 de agosto de 2009

Black Sabbath - Vol. 4


Black Sabbath - Vol. 4 (1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Patrick Meehan
Formação Principal no Disco: Ozzy Osbourne – Tony Iommi – Geezer Butler – Bill Ward
Estilo: Heavy Rock
Relacionados: Rainbow/Led Zeppelin/Deep Purple
Destaque: Supernaut
Melhor Posição na Billboard: 13o

Opinião do leitor:
O Black Sabbath estava passando por mudanças naqueles idos de 1972. Primeiro, o ânimo da banda estava ligeiramente abalado por anos e anos de turnês intermináveis, divididos em vôos, hotéis e palcos de todas as partes. Bill Ward disse, à época, que o banda estava esgotada e que Master of Reality era o fim de um ciclo. se era o fim de um, era o começo de outro. O som da banda musou em alguns aspectos: primeiro, a fim de diminuir a tensão das cordas da guitarra, ele decidiu mudar a afinação para Dó Sustenido — fazendo com que Geezer Butler também mudasse a tonalidade do seu baixo. O outro: Richard Bain não era mais o produtor do Sabbath em favor do jovem Patrick Meehan, mas na verdade, era uma licença poética para que o quarteto tomasse conta da concepção do seu próximo álbum, Volume 4. Intitulado originalmente Snowblind — uma lírica e sutil alusão ao uso de alcalóide (a Vertigo vetou o nome, e escolheu Volume 4), ele veio à lume depois de um breve porém produtivo hiato de quase um ano. De recreio e livres de "compromissos prementes", eles puderem produzir tudo. O problema é que a correria dos shows e a tensão das turnês fez com que o pessoal do Sabbath abusasse de todo o tipo de substâncias legais e ilegais para segurar a barra pesada e, naquele momento, aquilo estava saindo de controle. No meio das gravações de Cornucopia, ele resolveu tomar alguma coisa, em pleno estúdio. O clima ficou meio tenso: os demais lhe dardejavam olhares glaciais, e Bill achou, anos mais tarde ementrevista que, se eles quisessem, brmque poderiam ter lhe tirado as baquetas e o mandado embora para sempre. "Ouvindo o disco agora", diz Ward, "é como se aquilo fosse um momento transcendente para mim, foi quando eu percebi que álcool e drogas estavam deixando de ser diversão". A cocaína havia se tornado a Venusberg, a musa inspiradora, o motivo condutor do disco. As alusões iam do título original — e a própria letra de Snowblind (Algo explode na minha cabeça/É o gelo do inverno/Ele rápido irá florescer/A morte iria congelar minha própria alma/Me deixa feliz/Me deixa congelado) até os agradecimentos de Ozzy à companhia Coca-Cola (em Inglês, Coke, subentende-se) na contracapa. Mas, a despeito desses pequeninos contratempos, dizia-se que o Sabbath estava passando pormudanças, e isso ocorreu em sua música. A mudança da afinação de Iommi fez com que o som da banda parecese mais pesado e sombrio, e a influência do endêmico cânone do progressivo deixou o quinteto mais experimental, em arranjos complexos e lapidares, como Wheels of Confusion/The Straightener, qiase uma suíte de oito minutos, ou uma sonoridade que transcendia o blues-rock, como em Laguna Sunrise ou, principalmente em Changes, que é uma música apenas com cordas, sintetizadores e pianoforte, e Iommi asumiu os teclados, deixando a guitarra de lado. O disco foi lançado, Ward não gostou da mudança no nome ("uma babaquice, a gente não tinha nenhum volume 1, 2 ou 3"), a crítica não gostou do novo álbum, Tomorrow's Dream não foi bem nas paradas de singles na Inglaterra, mas como não podia deixar de ser, Volume 4 vendeu trilhões de discos. Dali, o destino do Sabbath agora era, de novo, a estrada. Haja alcalóide.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

1 de agosto de 2009

Big Star - #1 Record


Big Star - #1 Record (1972)

Origem: Estados Unidos
Produtor: John Fry
Formação Principal no Disco: Chris Bell - Alex Chilton - Andy Hummel - Jody Stephens
Estilo: Power Pop
Relacionados: Badfinger/The Knickerbockers/The Raspberries
Destaque: The India Song
Melhor Posição na Billboard: Não encontrado

Opinião do leitor:
O estilo modernamente intitulado de Power Pop nasceu do udigrudi típico do soft rock que marcou boa parte da trilha sonora dos anos 60. Nos anos 70, no entanto, ele se tornaria uma espécie de alternativa tanto ao hard rock de bandas como Led Zeppelin e Deep Purple quanto ao progressivo do Emerson, Lake And Palmer, Pink Floyd, por exemplo. sua sonoridade lembra conjuntos do British Pop como os Hollies ou o Badfinger: melodias simples, vocais bem elaborados e músicas curtas (e por isso, essencialmente comerciais, como o bubblegum). Um banda que pode ser considerada como o expoente do gênero setecentista é o Big Star. Chris Bell e Alex Chilton criaram a banda depois de passar por vários projetos como músicos de estúdio, porém não desejavam se tornar um duo, como o Simon And Garfunkel. Formaram um quarteto e, com boa parte do material elaborado e reelaborado em seus anos de formação, lançaram finalmente em 72 o seu disco de estréia. #1 Record é um elo perdido no meio do rock dos anos 70.Porém, não obteve o mesmo sucesso de outras bandas que faziam algo parecido, como o America ou o Bread. O maior problema foi a própria gravadora deles, a famélica Ardent. é incrível imaginar que um álbum com canções tão belas como Thirteen ou The India Song ou When My Baby's Beside Me fosse morrer de fome por problemas absurdos, tanto de press release quanto de distribuição comercial. Para piorar, a distribuidora da independente Ardent era a Stax (já em decadência), que era tão famélica quanto, e mesmo depois que esta foi incorporada à Columbia, esta não tinha nenhum interesse no catálogo do selo. Não faltou gente que procurava os discos do Big Star nas lojas e não achavam. só iriam conseguir sucesso de fato dois anos depois, com Radio City, contudo com outra formação (Chris Bell partiu para uma carreira solo e bateu as botas em 1978, num acidente de carro). A despeito de tudo isso, o tempo cuidou de fazer justiça ao quarteto americano: enquanto muita coisa dos 70 saiu de moda na década seguinte, o rock grudento de letras melancólicas e niilistas do Big Star foi redescoberto, entrou em voga de novo e influenciou muitas bandas dos anos 80, como o REM e atuais, como o Wilco — que fez uma bela versão de Thirteen. E continua na ativa até hoje.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

31 de julho de 2009

Chico Buarque - Construção


Chico Buarque - Construção (1971)

Origem: Brasil
Produtor: Roberto Menescal
Formação Principal no Disco: Chico Buarque - MPB4
Estilo: MPB
Relacionados: Caetano Veloso / Geraldo Vandré / Vinícius de Moraes / Rogério Duprat
Destaque: Deus Lhe Pague
Melhor Posição na Billboard: Não conhecido

Opinião do leitor: Construção é um disco que precisa de muitos comentários, mas é difícil pensar em algo que já não seja a posição padrão de clássico absoluto da música brasileira. Chico Buarque é filho de um dos maiores historiadores do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda, homem este que tentou definir a identidade do homem brasileiro, tentando demonstrar em letras como se formou o tipo nacional. Não se poderia imaginar que seu filho, ao conviver com mestres como Paulo Vanzolini e Vinícius de Moraes ao longo da vida, conseguiria definir, em versos musicais, a essência do brasileiro - ou, ao menos, o padrão do Rio de Janeiro, que à época ainda era o centro cultural do país. Chico, mesmo tímido e recluso, compreendeu o padrão desse povo na marra, ao voltar ao país no começo dos anos 60 após temporada na Itália e já começou a "escrever sua obra" nos festivais da música, com parcerias importantes como com Nara Leão em "A Banda" e "Sabiá", com Tom Jobim, músicas que não fazem parte de Construção. Mas porque então falar nelas? Porque Construção não é simplesmente um disco, mas o símbolo dessa geração de músicos de festivais, como Geraldo Vandré, que tentavam através de sua arte dar voz ao povo reprimido por uma forte ditadura militar. Ditadura esta que exilou e aprisionou diversos líderes culturais, como o próprio Chico, que foi obrigado a ir para a Itália para não sofrer consequências piores, como o próprio Vandré. Construção foi lançado no retorno de Chico ao Brasil, num clima de repressão forte, que censurou músicas como "Samba de Orly", onde fala abertamente sobre seu exílio. Mas não é apenas um disco político, é um disco de qualidade excepcional, não devendo nada a qualquer álbum clássico da música. "Olha Maria", com a participação de Tom Jobim no piano, é obra-prima. Cotidiano e a faixa-título Construção são clássicos eternos, assim como a "Minha História", que lembra liricamente "A Boy Named Sue", de Johnny Cash. Os sambinhas "Desalento" e "Cordão" estão na memória do povo brasileiro até hoje. Deus lhe pague, Chico.

Como pegar / How to get: Clique em Comentários.

30 de julho de 2009

Deep Purple - Machine Head


Deep Purple - Machine Head (1972)

Origem: Inglaterra
Produtor: Deep Purple
Formação Principal no Disco: Ritchie Blackmore - Ian Gillan - Roger Glover - Jon Lord - Ian Paice
Estilo: Rock
Relacionados: Black Sabbath/Frank Zappa/Led Zeppelin
Destaque: Highway Star
Melhor Posição na Billboard: 1o

Opinião do leitor:
"Saímos todos para Montreux/Ás margens do Lago Genebra
/Para gravarmos um disco com um (estúdio) móvel/Não tivemos muito tempo/Frank Zappa and the Mothers/Estavam lá no melhor ambiente/Mas um idiota com um sinalizador/Incendiou o local até o chão". Os primeiros versos de Smoke In The Water dão a pista: logo após lançarem Fireball, o Deep Purple caíram na estrada; ao mesmo tempo, todavia, eles começar